Medicamentos são usados por jovens em substituição a outras drogas sintéticas como êxtase e LSD

Em baladas, jogos universitários e até mesmo micaretas, é possível encontrar um pouco de tudo. Adolescentes que tomam medicamentos prescritos para crianças hiperativas com o intuito de ficaram mais ligados, outros que misturam xarope para tosse com cerveja para ficarem bêbados mais rápido e mesmo quem abuse de medicamentos para mal de Parkinson em busca de alucinações típicas do LSD. É possível até já pedir o drinque com medicamento moído em algumas festas de faculdade, principalmente nas de Medicina.

“Tem muita gente que toma para estudar, para aumentar o rendimento e conseguir ficar horas lendo”, diz uma estudante do último ano da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. “Nas festas, também dá para pedir a bebida ‘batizada’ já, com um pouco de anfetamina. É uma coisa até normal, ninguém acha que está se drogando de verdade”.

Para o médico Ronaldo Laranjeiras, diretor da Unidade de Drogas e Álcool da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, o uso de medicamentos para fins recreativos já está virando problema de saúde pública. “De fato é mais sério do que aparece nos jornais”, diz. “Hoje, não há psiquiatra que não trate de jovens com problemas de abuso de medicamentos vendidos nas farmácias.”

A professora Solange Nappo, médica da Unifesp e pesquisadora do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas – Cebrid, aponta a facilidade na obtenção da droga e a sensação de segurança no uso dos medicamentos produzidos por grandes multinacionais como uma das principais razões do fenômeno.

Segundo Solange, o ice, uma droga feita à base de meta-anfetamina, sintetizada a partir de produtos comprados em farmácias, que pode ser cheirada, injetada e fumada, é atualmente uma das drogas que mais cresce e assusta as autoridades americanas. “O boom começou há cerca de cinco anos e a moda não chegou ao Brasil. Mas é preciso ficar atento, já que outras drogas como crack e ecstasy demoraram cerca de dez anos até chegar por aqui.”

Política

O secretário Nacional Antidrogas, general Paulo de Miranda Uchôa, afirma que o governo tem ciência dessa realidade envolvendo o elevado consumo de medicamentos. Prova disso, ele diz, é que a política anti-drogas passou a ser chamada de política sobre drogas. “Estamos tomando medidas para aumentar o controle sobre as prescrições e a venda desses medicamentos nas farmácias. Mas o mais importante são os municípios ativarem conselhos antidrogas para alertar os jovens sobre os riscos que eles correm”.
OBID Fonte: O Estado de S. Paulo – SP