Teste de drogas através do fio de cabelo é exibido em congresso em Salvador

Identificar o consumo de drogas ilícitas por meio do fio do cabelo. Ao contrário das análises feitas em amostras de urina e sangue, que só detectam o uso de substâncias psicotrópicas após algumas horas, a técnica com o fio de cabelo possibilita a identificação das substâncias consumidas há mais tempo. Este tipo de teste foi apresentado pela especialista do Instituto Nacional de Medicina Legal de Portugal, Helena Teixeira, no XIX Congresso Nacional de Criminalista, que terminou ontem, em Salvador – BA.

Além de determinar o uso dessas substâncias, procedimento é capaz de detectar a exposição a drogas durante o período intra-uterino. Mesmo diante da complexidade da análise, especialistas portugueses comemoram o sucesso da inovação científica. Helena explicou que a concentração das substâncias nos fios de cabelo é dez vezes maior que às encontradas em sangue e urina. As amostras podem ser colhidas dos pêlos da cabeça, da barba, axila e pestanas.

Além disso, a especialista destacou outros benefícios, como a facilidade da obtenção da amostra, o fato de não ser preciso pessoal especializado para coleta – a amostra geralmente está disponível em grandes quantidades -, inexistência de risco de adulteração e o armazenamento, que despreza a necessidade de refrigeração.

No entanto, Helena ressalta que dados mostram que o resultado mais eficaz se dá quando o fio é retirado junto com o bulbo capilar da raiz, parte capilar que mostra o uso mais recente de substâncias, resultando em uma análise mais precisa. “A droga pode ser incorporada ao cabelo por meio da corrente sangüínea, excretada por meio do suor e do sebo da pele. Mas, com o tratamento químico, como tinturas e uso de permanentes, há uma redução de até 90% da quantidade de drogas no cabelo”, explica.

Dentes

“A droga não fica apenas no sangue, vai para o sistema nervoso central e depois para órgãos e tecidos. Os dentes também são uma extraordinária amostra para identificação em Portugal. É uma técnica bastante usada”, completou Helena.

Ampliação do leque no país

Para a congressista Andréa Sargi, perita criminal da Polícia Federal de Mato Grosso, a pesquisa representa mais uma possibilidade de amostra para análise de drogas, principalmente no caso de uma exumação, onde não há outra matriz, como o sangue ou urina.

A pesquisa divulgada durante o XIX Congresso Nacional de Criminalística traça um novo horizonte para a aplicação da perícia do ponto de vista forense e judicial.

Segundo ela, o estudo do fio do cabelo abre um leque para a técnica consultiva nos tribunais, confirmação de declarações judiciais relativas a consumo de drogas, além da distinção entre consumidor e traficante. “A partir dessa matriz de análise, a polícia científica brasileira agrega uma forma mais eficaz de confirmação de delitos sob influência de drogas”, considera.
OBID Fonte: Correio da Bahia – BA (com alterações)