Drogas compradas nas farmácias

Neste exato momento, muitos jovens estão curtindo uma ressaca dobrada. Ou, na tentativa de “recuperar o pique”, repetindo um ritual praticado nas baladas: a ingestão de bebida alcoólica com remédio controlado. Os preferidos são as anfetaminas, que deixam a pessoa mais “ligada”, falante.

O universitário Pedro – nome fictício, admite ter adotado a prática mesmo depois de ter perdido um colega, que enfartou. “Ele malhava, e tomava quatro comprimidos de moderador por dia. Eu parei de usar porque senti que estava ficando viciado”, diz ele, que não se via como “drogado”. Usava a droga lícita antes de malhar na academia, para emagrecer, e à noite, na boate, com álcool.

Diversão

A última pesquisa realizada pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas – Cebrid, em 2005, mostrou que 24,3% das 7,9 mil pessoas entrevistadas em 108 cidades brasileiras – quatro capixabas – já usaram medicamentos vendidos em farmácias para se divertir.

Isoladamente, medicamentos à base de Fenproporex e Anfepramona já causam euforia, tiram o sono, aumentam a atividade motora, diminuem a fadiga. Também dão taquicardia e aumentam a pressão arterial.

A farmacologista Ester Nakamura, e a enfermeira Marluce Miguel Siqueira, ambas professoras e membros do Núcleo de Estudos sobre Álcool e outras Drogas – Nead, da Ufes, explicam que os jovens usam os medicamentos para contrapor a ação do álcool. Somam um estimulante a um depressor do sistema nervoso central.

Ester Nakamura diz que essa fusão pode gerar no cérebro “resultados ainda imprevisíveis”. Ela explica que a anfetamina, dependendo da dose e da freqüência de uso, pode desencadear surtos de psicose, esquizofrenia. E que o álcool, sozinho, já é capaz de alterar elementos químicos do cérebro, prejudicando a memória e a aprendizagem.

Os usuários dos medicamentos, lembram as especialistas, fazem uso de substâncias que têm ação central no cérebro semelhante à da cocaína – caso das anfetaminas. Quem não obtém a prescrição médica, compra no “mercado negro”. Na Internet há muitas ofertas, mediante depósito antecipado.

Entre as ofertas estão também substâncias termogênicas, inclusive com efedrina, usadas por jovens em busca de corpos “sarados”, mas que associam a droga ao álcool nas baladas.

Até viagra nas baladas

Além de consumir álcool e outras drogas, jovens estão lançando mão até do uso de medicamento para disfunção erétil nas baladas. Quem confirma é o urologista Jhonson Gouveia, que já atendeu garotos de 17 anos. “Como o álcool é uma droga depressora, com um determinado número de doses, há quem busque melhorar seu desempenho sexual ingerindo remédio”, diz ele. Mas o médico garante: quem não tem disfunção erétil não se beneficia de Viagra. “A questão é meramente psicológica”, afirma.
OBIDFonte: A Gazeta – ES