Morte de usuário de crack em Belo Horizonte está ligada à violência

As mortes de pessoas dependentes em crack nem sempre estão associadas aos problemas de saúde decorrentes do consumo. Essa é a percepção do juiz mais antigo da Vara de Tóxicos de Belo Horizonte, José Osvaldo Corrêa Furtado de Mendonça.

Segundo ele, a maioria dos óbitos está relacionada ao contato com o mundo violento da droga. Isso porque muitos usuários não conseguem, por exemplo, honrar as dívidas com os traficantes e são assassinados. Ou porque se aventuram em ações criminosas sem medir as conseqüências para conseguir dinheiro. Há sete anos exercendo a função nessa vara, o magistrado pôde observar que a maioria dos casos de morte de usuários do crack tinham causas violentas.

Para debater a incidência social dessa e outras drogas em Belo Horizonte, foram realizados três eventos simultaneamente, entre o dia 22/11 ao dia 25/11. Mas o tema eleito como central na discussão foi mesmo o crack.

De acordo com a diretora do Centro Mineiro de Toxicomania – CMT, Raquel Martins Pinheiro, houve um aumento de 30% dos casos de pessoas que procuraram assistência no local para tratar dessa dependência. Se for observado o histórico dos últimos dez anos, a quantidade de atendimento de dependentes não passava a casa de 6%. Atualmente, esse percentual pulou para 36% dos 1.100 casos novos que chegaram ao CMT nesse ano.

“O crack provoca dificuldade na abordagem, tanto pelos profissionais da saúde quanto do poder judiciário. A pessoa fica desagregada do grupo de usuários e começa a ter desconfiança um do outro. O que também aumenta a violência entre eles”, explicou Raquel.

Ela ainda esclareceu que as 800 pessoas inscritas nos debates se propuseram a discutir estratégias de acesso a melhores tratamentos, principalmente no interior. “Aquele que atende no sistema de saúde não se sente capacitado de maneira suficiente para realizar o atendimento”, disse.

Segundo a diretora do Centro Mineiro de Toxicomania – CMT, Raquel Martins Pinheiro, a meta traçada em Minas é a ampliação dos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas – Caps AD, para tratamento. Em todo o Estado existem apenas nove desses locais. “Existe a intenção de colocarmos Caps AD nas 75 microrregiões de saúde do território mineiro. Seis projetos estão em fase de implementação para o próximo ano”, ressaltou.
OBID Fonte: O TEMPO-MG (com alterações)