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Entrevista com Dr. Kenneth Mukamal – Fatores comportamentais

1) A maior parte de sua pesquisa é sobre a influência de fatores comportamentais e de estilo de vida (em especial consumo de álcool) no desenvolvimento e prognóstico de doença coronariana. Quais são os seus principais achados?

Nós temos encontrado de maneira consistente nos estudos um menor risco de doença coronariana entre indivíduos que consomem 3-4 dias por semana ou mais. O tipo de bebida (cerveja, vinho ou destilado) parece não ser importante, ao menos para a doença coronariana. A maior parte desses benefícios parece estar estatisticamente relacionada aos maiores níveis de HDL (colesterol bom) dentre os bebedores, menores níveis de alguns fatores relacionados à coagulação sanguínea e possivelmente algumas melhoras relacionadas no modo pelo qual o organismo regula o açúcar sanguíneo.

2) Qual papel o padrão de consumo de álcool desempenha no desenvolvimento da doença coronariana?

Os padrões de consumo de álcool são claramente importantes. Nós constatamos que indivíduos que bebem em padrão binge, mesmo que ocasionalmente, apresentam um risco de mortalidade duas vezes maior após a ocorrência de um ataque cardíaco em comparação a outros bebedores. Esse padrão elimina completamente qualquer benefício do uso moderado de álcool. Nós encontramos algo parecido também para Acidente Vascular Cerebral (derrame) – o uso pesado de álcool aumenta o risco ao passo que pode haver benefícios relacionados ao uso leve dessa substância provavelmente para aqueles que bebem de 1-2 doses durante 3-4 dias por semana na média.

3) De que modo a hipertensão é influenciada pelo consumo de bebidas alcoólicas?

Com doses baixas provavelmente o álcool não afeta a pressão sanguínea. Com a ingestão de 3 doses por dia ou mais, definitivamente há aumento na pressão sanguínea. O mecanismo subjacente a esse efeito permanece desconhecido.

4) De que modo se justifica a ação benéfica do uso moderado de álcool no funcionamento cardiovascular?

O mecanismo mais estudado diz respeito aos altos níveis do colesterol HDL entre aqueles que bebem moderadamente. Em estudos experimentais realizados na Holanda, é claramente maior a habilidade do sangue de um sujeito de retirar colesterol das células em uma lâmina quando há a ingestão de álcool em comparação à abstinência alcoólica – processo chamado de transporte reverso do colesterol que conta com a participação do HDL. Pessoas com menores níveis de HDL aparentemente parecem ter os maiores aumentos nos níveis desse tipo de colesterol com a ingestão de bebidas alcoólicas. A decisão de fazer uso ou não de álcool, entretanto, depende de muitos outros fatores além do HDL. Assim, ir ao médico continua sendo a maneira mais segura de tomar essa decisão.
Fonte:CISA – Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool