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Estudo revela que cerca de 40% das mulheres presas no Brasil são condenadas por tráfico de drogas

Relatos de presas denunciam que há tortura em estabelecimentos penitenciários de pelo menos seis estados brasileiros: Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás, São Paulo e Espírito Santo. É o que indica o Relatório sobre Mulheres Encarceradas no Brasil, divulgado pela Pastoral Carcerária Nacional, ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, em conjunto com outras dez instituições da sociedade civil.

O documento chama a atenção para a presença de carcereiros homens, armados, com acesso irrestrito às celas o que – aliado aos casos de presas que engravidam dentro do regime de internação – embasa denúncias de violência sexual por parte dos agentes penitenciários ou de outros presos (nos casos de presídios mistos). Ainda segundo o estudo, os abusos não são denunciados porque as presas têm medo, já que vão ficar sob a guarda dos acusados.

O estudo traça um perfil das presidiárias e das condições das penitenciárias, cadeias públicas e carceragens de todo o país. As mulheres presas, que representam cerca de 5% da população carcerária do Brasil, são, em geral, jovens, solteiras ou separadas, mães, afro-descendentes e demonstram um forte vínculo familiar. Cerca de 40% são condenadas por tráfico de drogas e 21%, por roubo. Em 72% dos casos, são rés primárias.

O relatório acusa o Estado brasileiro de “ecoar a discriminação e a violência de gênero presentes na sociedade para dentro dos presídios femininos” e diz que as presas são invisíveis às autoridades. Baseado em informações de pesquisadores e estudos realizados por organizações não-governamentais, o relatório também aponta a falta de dados oficiais – o último censo penitenciário foi feito em 1997.

Segundo o estudo, as penitenciárias que abrigam mulheres são, em geral, prédios que eram sanatórios ou penitenciárias masculinas, não são adaptados às especificidades femininas e estão em péssimas condições de conservação.
OBID Fonte: CorreioWeb