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Produtos falsificados, como bebidas e cigarros, podem gerar contaminação e até causar cegueira

“O Ministério da Saúde adverte: fumar é prejudicial à saúde”, “Se beber, não dirija.” As mensagens são encontradas nas embalagens e propagandas de cigarro e bebidas alcoólicas. Apesar de ter a comercialização liberada, é senso comum que esses produtos prejudicam a saúde. Quando o produto é falsificado, o risco é ainda maior.

O problema é que os cigarros e as bebidas falsificadas contêm substâncias proibidas e sem controles sobre os níveis de segurança de cada item. Um estudo elaborado pela Academia de Polícia do Estado de São Paulo, em parceria com o laboratórios especializados da British-American Tobacco – BAT, mostrou que os cigarros falsificados, por exemplo, têm até pedaços de insetos. Mas o maior problema do produto falso é o excesso de nicotina, substância química que provoca dependência.

Geralmente, a bebida alcoólica falsificada não possui alcoóis superiores, que contêm cadeias carbônicas diferenciadas e garantem sabor e qualidade ao produto. O uísque de “fundo de quintal”, geralmente, é composto por álcool, corante, caramelo e açúcar. “É fácil de fazer e há grande risco de contaminação”, explica o professor Olívio Galão, do Departamento de Química da Universidade Estadual de Londrina – UEL.

O álcool de boa qualidade é resultado da decomposição de cereais. Mas há falsificações que usam tipos de álcool impróprio para o consumo e que representam risco à saúde. Podem até, em casos extremos, causar cegueira.

De acordo com informações da Associação Brasileira de Combate à Falsificação – ABCF -, o uísque falso normalmente tem álcool etílico, éter, iodo e corantes. O original é feito apenas com água e malte. Um estudo realizado no Instituto Adolfo Lutz, na década de 1990, e disponibilizado na internet, mostrou que entre as bebidas alcoólicas, o uísque é o principal alvo das falsificações, devido ao alto preço que o produto alcança no mercado.

Uma das bebidas mais fortes do mercado, a cachaça, bastante consumida no Brasil, contém metanol – espécie de álcool. O produto tipo exportação também contém metanol, mas em quantidade mínima: três partes por bilhão. Esse índice é correspondente a uma gota numa piscina olímpica. “O limite aceito no mercado nacional é maior, tanto de metanol quanto de cobre. O brasileiro não tem um controle de qualidade tão eficiente”, compara Galão.

O teor máximo de álcool permitido nas bebidas nacionais é de 45%; qualquer líquido com 65% de álcool é combustível suficiente para acender até uma churrasqueira.
OBID Fonte: FOLHA DE LONDRINA-PR