Jovens de Porto Alegre pedem atenção a dependentes químicos

Dezenas de jovens realizaram ontem, dia 05/12, em Porto Alegre, uma manifestação para chamar a atenção do Poder Público e da sociedade. O objetivo foi destacar a carência no atendimento, na rede municipal de saúde pública, a quem sofre de dependência química em razão do uso de drogas.

O assunto tem gerado uma conjunção de esforços envolvendo a Justiça e entidades de defesa dos direitos da criança e do adolescente.

As dificuldades do sistema de auxílio a dependentes químicos foram tema de debate em uma audiência pública na Câmara de Vereadores. Acorrentados simbolicamente a uma cama, os jovens percorreram o trecho de poucas quadras que separam o Centro Integrado de Atendimento da Criança e do Adolescente do parlamento municipal de Porto Alegre.

A intenção do ato era mostrar que o desespero causado pelo problema das drogas em algumas famílias tem levado pais a prenderem os filhos dependentes com correntes para impedir que eles voltem a cair na tentação.

A manifestação foi organizada pelo Fórum Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, que reúne mais de trezentas ONGs do setor. O frei Luciano Bruxel, que integra a coordenação da entidade, lembrou que a situação de jovens acorrentados tem tornado-se recorrente. “Alguns dependentes passam por um período de tratamento e depois são abandonados pelo Poder Público. Por isso, acabam regressando ao uso de drogas”, comentou.

O juiz Leoberto Brancher, da 3ª Vara da Infância e Juventude de Porto Alegre, apresentou um levantamento que analisou a situação de mais de cem jovens ligados à Fundação de Atendimento Sócio-Educativo – Fase – por envolvimento com drogas. “Os dados são alarmantes. Quase 17% deles acabaram sofrendo transtornos mentais e de comportamento por causa do uso abusivo de substâncias psicoativas”, relatou.

Segundo o magistrado, é alto o gasto público para tentar livrar os jovens da dependência. “Uma diária em uma clínica particular custa R$ 180,00 por dia”. Em um mês, o montante chega a R$ 5,4 mil. “Dinheiro não falta. O problema é que ele não é bem aplicado, pois quando o jovem sai da clínica não é acolhido, não existe um sistema de apoio”, afirmou.

Garantir a continuidade do serviço é uma das sugestões do juiz Brancher. Além disso, ele propõe que o Poder Público atue de forma integrada e planejada, assim como se faça um aprofundamento de referenciais técnicos através de fóruns de pesquisa.
OBID Fonte: JORNAL DO COMÉRCIO-RS