Ribeirão Preto oferece tratamento a dependentes químicos

Moradores de Ribeirão Preto com problemas de dependência química que querem ser internados em uma comunidade terapêutica já podem procurar as secretarias da Saúde ou da Assistência Social do município.

No dia 14/12 foi assinado o convênio entre a FAC – Fraternidade Auxílio Cristão e a Prefeitura Municipal, para que, ao longo de doze meses, até 50 pacientes sejam encaminhados para a Fazenda de Recuperação São Sebastião. O tratamento, por até nove meses, é para moradores que estejam “vivendo em situação precária”, na definição de Alexandre Souza Cruz, coordenador de Saúde Mental da Secretaria da Saúde.

Num primeiro momento, o convênio serviria para a internação apenas de moradores de rua, que já são atendidos no Núcleo Dom Helder Câmara, que, assim como a Fazenda São Sebastião, é mantida pela FAC.

Típicos ou não

Mas não são apenas os moradores de rua “típicos” que serão atendidos. “No recente censo de moradores de rua, encontramos muitas pessoas que estavam naquela situação há poucos dias”, explica Cruz.

Ele destaca que a definição de “morador em situação de rua” é bastante ampla. Um jovem dependente de crack que sai de casa e não aparece por vários dias, por exemplo, se enquadra entre o público-alvo do programa, assim como um desempregado alcoolista, cuja mulher o põe para fora de casa.

“Demanda, sabemos que existe”, destaca Nicanor Lopes, secretário municipal de Assistência Social. Segundo ele, os interessados podem comparecer a locais como a Cetrem – Central de Triagem de Migrantes, Mendicantes e Moradores de Rua, e os sete Centros de Referência em Assistência Social – CRAS, Cruz, da Saúde, acrescenta que o dependente químico também pode procurar o Caps-ad – Centro de Atenção Psicossocial-álcool e drogas. Ele destaca que internações em comunidades terapêuticas como a Fazenda São Sebastião fazem parte da política de assistência preconizada pelo Ministério da Saúde.

“O ministério incentiva a oferta de um leque de opções para o tratamento dos dependentes químicos, incluindo unidades como o Caps-ad, para quem não quer ser internado, e comunidades terapêuticas como a fazenda São Sebastião, para quem a internação é a melhor alternativa”, destaca.

Internos fazem a manutenção de fazenda

Localizada a 17 Km de Nuporanga, município de São Paulo, a fazenda de Recuperação São Sebastião foi inaugurada há dez meses por iniciativa da Arquidiocese de Ribeirão Preto.

Os internos, na maior parte do dia, trabalham na manutenção da fazenda. Quase toda a alimentação vem do local, que tem rebanho de gado de corte e leiteiro, horta, pomar, criação de galinhas e de porcos.

São pelo menos três meses de internação antes de receber, pela primeira vez, visita de familiares. Este ano sete internos completaram os nove meses de tratamento e se “graduaram”. A maioria, porém, desiste antes.
OBID Fonte: Jornal A Cidade – SP