A ingestão de energéticos em associação a bebidas alcoólicas entre estudantes da Escola de Medicina da Universidade de Messina.

O grupo das bebidas energéticas é conhecido por seu efeito estimulante sobre o Sistema Nervoso Central (SNC). Estudos têm demonstrado que o uso de bebidas energéticas melhora o desempenho em termos de atenção, tempo de reação e alerta. Outros estudos têm apontado que a administração conjunta de álcool a componentes isolados das bebidas energéticas (ex.: cafeína e taurina) reforçam os efeitos do álcool, o que corresponde a considerável risco ao usuário, podendo levá-lo à dependência de álcool e conseqüências associadas. Porém, atualmente, ainda há poucas evidências a respeito do uso simultâneo de bebidas alcoólicas e energéticos e os efeitos resultantes.

Nesse estudo, 500 estudantes da Faculdade de Medicina da cidade de Messina, Itália, responderam a um questionário anônimo sobre o uso de energéticos, seja isolado ou em associação a bebidas alcoólicas, acompanhado das motivações subjacentes a ambos os usos.

Conforme os autores, dentre os participantes, 56,9% declararam usar bebidas energéticas, dos quais 14,8% consumiam-nas isoladamente, 39,8% sempre com bebidas alcoólicas e os 45,3% restantes relataram empregá-la tanto isoladamente quanto combinada a álcool. Gim e vodka foram as bebidas alcoólicas mais comumente associadas aos energéticos. O uso diário de energéticos (em número de latas) e o número de doses ingeridas, no último mês, foram maiores entre os participantes que não relataram uma forma específica de uso, ou seja, que o faziam tanto na forma isolada quanto combinada a álcool, apontando à possibilidade do uso com álcool estimular o consumo de energéticos. Já o uso esporádico é mais freqüente entre os usuários que faziam o uso isolado de energéticos, ou seja, na ausência de bebidas alcoólicas. A apreciação (67,5%), prazer (22,1%), necessidade de permanecer acordado durante a noite (13%), auxílio às práticas esportivas (13%) e necessidade de manter a concentração durante atividades de estudo ou trabalho (5,2%) consistiram nas principais motivações do uso de energéticos. Assim, conforme os autores, o crescente uso de energéticos, entre estudantes de Medicina, incentiva o uso de álcool e vice-versa, combinação que pode aumentar tanto os riscos do desenvolvimento de dependência quanto de outras conseqüências associadas ao uso de álcool.

Título: Intake of energy drinks in association with alcoholic beverages in a cohort of students of the school of medicine of the university of Messina.
Autores: Alessandro Oteri, Francesco Salvo, Achille Patrizio Caputi e Gioacchino Calapai.
Fonte: Alcohol Clin Exp Res, 31(10):1677-80, 2007.
IF.: 2.933.
Fonte:CISA – Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool