Imperícia e ´coragem´ misturadas ao álcool ampliam os riscos aos jovens no trânsito

Imprudência mata homens de 18 a 29 anos. As estatísticas do verão confirmam que o trânsito se transformou em uma chacina para homens de 18 anos a 29 anos. Eles têm 5,5 vezes mais chances de morrer em um acidente do que garotas da mesma faixa etária, conforme levantamento feito pelo jornal Zero Hora. Foram pelo menos 104 vítimas masculinas com essa idade, o equivalente a 27,4% de todas as mortes nos três meses.

Especialistas percebem os números como resultado de um fenômeno de décadas. Sem experiência e imprudentes, os jovens costumam perder a vida ao seguir comportamentos de personagens de filmes como Velozes e Furiosos, responsáveis por renovar o mito James Jean, astro norte-americano de Juventude Transviada que perdeu a vida no trânsito.

“Ainda vivemos sob efeito da cultura do ‘eu tenho braço’. Pais ainda influenciam negativamente em casa: valoriza-se o carro mais potente, a ultrapassagem mais ousada. Com que autoridade ele exigirá do filho uma conduta diferente?” ressalta a especialista em Psicologia do Trânsito Aurinez Rospide Schmitz.

“Essa cultura associa a virilidade à agressividade no trânsito”, completa a presidente da Fundação Thiago Gonzaga, Diza Gonzaga.

“Não é por desconhecimento ou por estradas ruins que os jovens morrem no trânsito. É por imperícia, estimulada por essa cultura do herói, em que os homens confundem potência do motor com potência sexual”, avalia Diza.

O álcool amplia os riscos aos jovens. Um levantamento feito pela Secretaria Nacional Antidrogas aponta que brasileiros de 18 anos a 24 anos bebem quantidade de 89% maior do que o grupo com mais de 60 anos.

“Alcoolizados, esses jovens, além de inexperientes, tornam-se condutores mais ‘valentes’ e com menos reflexos” avalia o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego – Abramet, Fabio Racy.
OBID Fonte: ZERO HORA-RS