Nove entre cada dez moradores de rua de Blumenau, sofrem com o consumo abusivo de álcool

Como enfrentar a falta de perspectivas e a perda dos vínculos sociais e familiares? Que caminho tomar? Para muitos migrantes e moradores de rua, as respostas para estas perguntas são encontradas em uma relação perigosa e debilitante: o consumo abusivo de álcool.

De cada 10 pessoas atendidas no Abrigo Municipal de Blumenau Amblu, nove têm problemas relacionados ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas, de acordo com o Programa de Proteção e Atenção à População de Rua e Migrante.

“São pessoas, em princípio, sem maiores posses, que não têm nada a perder. Isso faz com que não tenham muita responsabilidade consigo mesmas e com a sociedade”, explica Klaus Rehfeldt, escritor de quatro livros sobre dependência química.

“O morador de rua encontra no consumo de álcool uma forma de escapar do sofrimento, já que a bebida ajuda a diminuir a fome. Enquanto ele poderia optar por buscar auxílio em outros meios, acaba seduzido pela bebida, por diversos fatores. No fim, você pode até tirar a pessoa da rua, mas mudar o comportamento é o mais difícil”, afirma o diretor da unidade de Blumenau do Centro de Recuperação Nova Esperança – Cerene, que promove o tratamento e recuperação de dependentes químicos, Osvaldo Christen Filho.

Segundo o gerente de apoio do Conselho Municipal de Entorpecentes – Comen, Mauro Luís de Medeiros, grande parte dos moradores de rua de Blumenau é de fora da cidade, do interior de Santa Catarina e de outros Estados, como Paraná, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

Medeiros ressalta que os migrantes que chegam à cidade estão expostos à dependência química por não possuírem estrutura familiar e espaço no mercado de trabalho:

“Ao chegar na cidade e encontrar dificuldades para conseguir emprego e moradia, essas pessoas ficam mais propensas à marginalidade e, conseqüentemente, ao consumo de álcool e drogas. O ideal seria que elas ficassem em suas próprias cidades, onde pelo menos têm uma cama para dormir e uma família.”
OBID Fonte: Jornal de Santa Catarina – RS