Os anjos das estradas

As rodovias federais que cortam o Distrito Federal continuam a apresentar números assustadores. De acordo com o Relatório de Operações Diárias da Polícia Rodoviária Federal (PRF), ao todo, 2.454 acidentes foram contabilizados, no ano passado, nestas vias, com 125 mortes. Dos 142 atropelamentos registrados, que resultaram em 49 mortes, 45,7%, ou 65, ocorreram na BR–040 (que liga Brasília a Belo Horizonte). A rodovia também foi considerada a mais perigosa em 2007, com 929 acidentes e 43 mortes. Com o objetivo de reduzir as estatísticas, 20 policiais rodoviários realizaram, ontem, campanha de conscientização no Km 7 da pista (entrada de Valparaíso). A campanha, intitulada ´´Trânsito Consciente´´, teve início às 9h e terminou às 12h. Para ajudar na distribuição de panfletos educativos e alertar sobre os cuidados de se dirigir, 30 jovens voluntários se vestiram de anjos e paravam alguns carros que passavam pela rodovia. Uma árvore com a foto de pessoas que morreram em acidentes de trânsito também foi montada no local pela Organização Não-Governamental (ONG) ´´As Árvores de Delma Lemos´´, criada há dez anos com o objetivo de alertar os jovens sobre os perigos do trânsito. ´´Eles morrem mais no trânsito. Quando a gente chama os jovens para a responsabilidade, alguma coisa muda´´, acredita a fundadora da ONG, Delma Lemos. Orientação Segundo o inspetor da PRF, Wenis de Almeida, outro objetivo da campanha é orientar motoristas antes da chegada do Carnaval, época em que a quantidade de acidentes aumenta. Para ele, a imprudência e falta de atenção, aliadas ao consumo de bebida alcoólica, fazem com que centenas de pessoas morram diariamente nas estradas brasileiras. Não apenas estes fatores, mas também a falta de sinalização e estradas ruins, contribuem cada vez mais com um trânsito violento. Segundo Almeida, no caso específico da BR–040, o maior problema são os atropelamentos. ´´Apesar de ter a passarela, muitos ainda insistem em passar pela rodovia´´, explica. Não foi difícil flagrar pedestres se arriscando em meio aos carros. No Km 8, a poucos metros da passarela, a reportagem do Jornal de Brasília presenciou dezenas de pessoas que preferem se arriscar atravessando na pista. O autônomo Antônio Elias, 62 anos, tentava passar quando foi reprimido pela buzina de um caminhão. ´´A passarela é mais segura mesmo. Eu passei (na pista), mas não aconselho ninguém a fazer o mesmo´´, admite. Por enquanto, o trabalho é de conscientização, mas, durante o Carnaval, quem for pego alcoolizado ou desrespeitando as leis de trânsito será punido com rigor, garante a Polícia Rodoviária Federal.
Autor: Mara Puljiz/Cidades
Fonte: Jornal de Brasília-DF