Vulnerabilidade ao HIV: turismo e uso de álcool e outras drogas

Um estudo realizado por pesquisadores do Núcleo de Estudos e Prevenção da Aids do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, no período de outubro de 2002 a fevereiro de 2003, teve como objetivo descrever situações de uso de álcool e outras drogas envolvendo turistas, e suas implicações para a vulnerabilidade ao HIV.

Estudos sobre os problemas de saúde pública que ocorrem nas comunidades anfitriãs (voltadas para o turismo) têm mostrado que a proliferação do HIV e outras DST entre turistas, turistas e nativos, e turistas e profissionais do sexo, decorrem de relações sexuais ocasionais desprotegidas, bem como a ocorrência de emergências médicas que acometem os turistas devido ao abuso de álcool e drogas (acidentes de trânsito, afogamentos, overdose); e o aumento do uso dessas substâncias entre os jovens nativos.

Os turistas costumam comportar-se de forma diferente da habitual quando estão em viagem e longe das restrições e afazeres do cotidiano. Alguns pesquisadores chamam de “inversão comportamental” esse fenômeno que contribui para a inibição de limites e cuidados próprios e com isso, favorece o uso abusivo de álcool e drogas e as relações sexuais ocasionais desprotegidas.

A pesquisa que foi conduzida em comunidades anfitriãs do Vale do Ribeira, em São Paulo, teve duas etapas. A primeira entrevistou 29 monitores de quatro comunidades anfitriãs para levantar cenas de uso drogas envolvendo turistas. A segunda consistiu de duas oficinas de trabalho, reunindo 77 entrevistados e profissionais de saúde e educação de dez comunidades para dramatizar as cenas levantadas nas entrevistas, compartilhar repertórios para lidar com essas situações e conhecer as formas de prevenção do HIV.

Os resultados mostram que a cenas evidenciaram que o uso de álcool e outras drogas pelos turistas ampliam a vulnerabilidade à transmissão do HIV ao favorecer as relações sexuais ocasionais sem preservativo e o assédio e abuso sexual. O trabalho de prevenção ao HIV nas comunidades anfitriãs do turismo precisa levar em conta o consumo dessas substâncias, que dificulta a prática do sexo seguro e, no caso do uso de drogas injetáveis de forma compartilhada, constitui fator de risco para a transmissão do vírus.

Para finalizar, os autores concluíram que os resultados ajudam a compreender como situações de uso de álcool e outras drogas inserem-se no cotidiano das comunidades anfitriãs ampliando a vulnerabilidade ao HIV. O estudo produziu análise do contexto social de transmissão do vírus, que pode subsidiar a elaboração de programas de prevenção mais adequados a essas comunidades.

Texto resumido pelo OBID a partir do original publicado pela Revista de Saúde Públical, –V41, suplemento 2, 80-6, São Paulo dic. 2007
ISSN 0034-8910 versión impresa

Título Original: Vulnerabilidade ao HIV: turismo e uso de álcool e outras drogasI. Instituto Ing_Ong de Planejamento Socioambiental. São Paulo, SP, Brasil
IIDepartamento de Psicologia Social e do Trabalho. Instituto de Psicologia. Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil

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Autor: Alessandro de Oliveira Santos e Vera Paiva
Fonte OBID: Revista de Saúde Pública