Estatísticas Preocupantes

O Distrito Federal ocupa uma posição preocupante no mapa da violência brasileira. Está em 4º lugar em número de acidentes com transporte (incluindo os de trânsito) e em 9º no ranking de homicídios. Ocupa também a 10ª posição nas estatísticas relacionadas a assassinatos entre a população jovem (de 15 a 24 anos de idade).

Os dados estão presentes no segundo Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros, divulgado ontem. O estudo foi realizado pelo pesquisador Júlio Jacobo Waiselfisz, diretor de Pesquisas do Instituto Sangari, que teve o apoio dos ministérios da Justiça e Saúde e da Rede de Informação Tecnológica Latino Americana (Ritla).

O estudo considerou quatro formas de violência: os acidentes de transporte, que incorporam tanto acidentes de trânsito como de outras atividades de transporte (aéreo e aquático, por exemplo); os homicídios na população total; os assassinatos na população jovem; e as mortes causadas por armas de fogo. Em todos os casos, a violência teve como conseqüência a morte, um parâmetro de comparação internacional.

Transportes

Com a 4ª posição em maior número de mortes envolvendo sistemas de transporte, o Distrito Federal só fica atrás de São Paulo, Belo Horizonte e Fortaleza (veja quadro). No DF, morreram 580 pessoas em 2006, enquanto São Paulo contabilizou 1.593 mortes. A capital mineira ficou com 704 e Fortaleza, 623, no mesmo período.

Os dados divergem dos números divulgados pelo Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran), pois o órgão local contabiliza apenas mortes provocadas por acidentes de trânsito. De acordo com o Detran, o DF teve 369 acidentes de trânsito com mortes em 2006. Destes, a principal causa foi colisão (156), seguida de atropelamento de pedestre (130).

Aumento

No Brasil, o estudo aponta que as maiores vítimas dos acidentes de trânsito são os pedestres, que representam 34,9% das mortes, seguida dos acidentes com carro e caminhonete (27,4%). Um dado do estudo preocupa: houve um aumento do número de acidentes com motociclistas (passou de 16,3%, em 2002, para 25,1%, em 2006.

Em 2006, o Detran contabilizou 62 mortes de motocilistas do DF. O número ficou atrás do número de óbitos de pedestres (132), passageiros (82) e demais condutores (75). Segundo Waiselfisz, este número deve-se ao aumento do uso de motociclistas pelas empresas, somado ao aumento da frota e do caos no trânsito. ´´É preciso fazer campanhas voltadas especificamente para eles´´, alerta.

No País, entre 1994 e 2006, o número de óbitos causados por acidentes de transporte, especialmente os de trânsito, subiu de 29.527 para 35.146, o que representa um aumento de 19% no número total de mortes.

Jovens estão morrendo mais

Ainda de acordo com o estudo, 769 pessoas foram assassinadas no DF em 2006, um número maior que em 2005 (745). Outra comparação que as estatísticas trazem é a quantidade de homicídios na população jovem, tabela em que o DF ficou entre os dez primeiros colocados. Em 2006, 303 jovens brasilienses foram mortos.

Nos mapas anteriores, ficou comprovado que o principal meio utilizado nos homicídios são as armas de fogo. De 2005 para 2006, este percentual manteve-se constante, com 74,4%. De 2003 para 2004, o número caiu de 77,9% para 76,2%, queda atribuída à política do desarmamento, ocorrida no período.

Assim, de acordo com o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Teles Barreto, a campanha deve voltar este ano, a partir de fevereiro. ´´Iremos repetir as ações. O cidadão que não tiver necessidade de ter uma arma, poderá devolvê-la e receber uma quantia em dinheiro em troca´´, afirma Barreto.

Criminalidade

O Mapa da Violência é feito a cada dois anos, desde 1998. Anteriormente, analisava-se capitais e regiões metropolitanas. O estudo começou a ser feito nos municípios com a percepção de que a criminalidade havia migrado para essas áreas. ´´Existem municípios com claros problemas de ´bandidagem´, extrativismo ilegal e tráfico, somado à ausência de direitos humanos, o que estimula a criminalidade; e outros que são focos de crime devido à formação de um pólo de crescimento no local, o que também atrai criminalidade´´, explica Waiselfisz.

Para diminuir a criminalidade nos municípios, o secretário-executivo do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), Ronaldo Teixeira, afirma que é importante firmar um novo paradigma da segurança pública nacional, estabelecendo a relação federativa União, estado e município.

Já Luiz Paulo Teles Barreto cita ações como o aprimoramento de políticas públicas, implementação de programas sociais e reconstituição de espaços públicos. O secretário ilustra o que já foi feito, afirmando que, em 2007, o Ministério firmou convênio com 99 municípios, repassando o total de R$ 41,5 milhões para a redução da violência.

A pesquisa divulgada ontem mostrou, também, que 556 municípios brasileiros, cerca de 10% do total, concentram 73,3% dos homicídios, ou seja, praticamente três quartos desses crimes. As cidades com as taxas médias mais elevadas no novo levantamento foram, respectivamente, Coronel Sapucaia (MS), Colniza (MT), Itanhangá (MT) e Serra (ES). Foram essas as cidades com mais de cem homicídios para cada 100 mil habitantes. O Distrito Federal (DF) foi considerado como tendo apenas uma cidade (Brasília), que está entre as mais violentas.

´´Existem municípios com claros problemas de ´bandidagem´, extrativismo ilegal e tráfico´´

Júlio Jacobo Waiselfisz, pesquisador

Saiba mais

– Em 2006, o Distrito Federal teve 156 casos de acidente com morte devido a colisões, segundo dados do Detran

– Até outubro de 2007, foram 143 mortes de acidentes desta mesma natureza, ainda de acordo com o Detran/DF

– Ano passado, um dos casos que mais chocou os habitantes do Distrito Federal aconteceu na Ponte JK, que liga o Plano Piloto ao Lago Sul, e ficou conhecido como ´´Caso Timponi´´

– No dia 6 de outubro, o professor de Educação Física Paulo César Timponi, 49 anos, bateu na traseira de um Corolla na Ponte JK

– Altair Barreira de Paiva, Antônia Maria dos Vasconcelos e Cyntia dos Santos Cysneiros morreram com a colisão

– As vitimas estavam no banco de trás do Corolla e foram jogadas para fora do veículo. Elas morreram no local do acidente

– Foi comprovado que Timponi dirigia a mais de 100km/h antes da colisão

– Além disso, havia vestígios de cocaína e maconha em seu carro, além de uma garrafa de bebida alcoólica

– De acordo com testemunhas, o professor disputava um racha com a caminhonete de Marcelo Costa Sales, que dirigia uma caminhonete S-10

– Timponi está preso, esperando julgamento. Tanto ele quanto Marcelo foram denunciados pelo Ministério Público por homicídio qualificado

Autor: Da Redação
OBID Fonte: Jornal de Brasília-DF