Brasil vai treinar policiais

No próximo mês, 18 policiais de Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe, além de dois argentinos e dois paraguaios, vão participar como alunos espectadores do curso de formação na academia da PF, em Brasília. Esse é apenas um dos cinco itens de um programa que prevê também consultoria para investigações.

De acordo com o diretor-geral da PF, delegado Luiz Fernando Corrêa, sempre houve grande demanda de auxílio por parte da comunidade internacional, mas o Brasil não estava preparado. “É apenas o primeiro passo desse trabalho, que começa no dia 25. A partir daí, vamos promover anualmente a formação de policiais parceiros e prestar assessoria institucional”, explicou.

Entusiasmado, o diretor-geral afirma que o rompimento das fronteiras vai fazer com que a PF adquira mais conhecimento para trabalhar no país, especialmente se forem consideradas as diferenças regionais. “Temos algumas regiões do Brasil que se assemelham muito aos problemas do sul da África”, exemplifica.

A iniciativa tem apoio do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), que no ano passado alertou para a necessidade de os países africanos receberem auxílio internacional no setor. O diretor-executivo do UNODC, Antonio Maria Costa, estima que 40 toneladas de cocaína foram enviadas à Europa via África Ocidental, e que um quarto da droga consumida no Velho Continente chega via África, por um valor estimado em US$ 1,8 bilhões. Em recente visita à Guiné-Bissau, considerado o país mais vulnerável, Costa disse que “o dinheiro das drogas está corrompendo a economia e apodrecendo a sociedade”.

Preocupação – O pedido da ONU apenas reforçou o interesse do governo brasileiro. O presidente Lula, que fez sete viagens ao continente desde 2003, prometeu apoio em vários setores. Nos bastidores do governo, a informação é que Lula se empenhou pessoalmente para que a PF assumisse a nova atribuição. A assessores próximos, o presidente confessou preocupação pela demora em desenvolver o programa de ajuda aos policiais africanos, já que ele assumiu publicamente o compromisso.

Para tocar o projeto foi escolhido o delegado Getúlio Bezerra Santos, ex-diretor de Combate ao Crime Organizado e Repressão a Entorpecentes, professor da academia e com vastas relações com as polícias de todo o mundo. O custo com os alunos espectadores será arcado em parte pela ONU. A PF vai oferecer aos africanos, paraguaios e argentinos uma bolsa para alimentação, estada na Academia de Polícia Federal, material didático e uniformes. O programa se estende até julho. Cada país participante terá direito a quatro vagas para cursos de formação de agentes e duas para peritos.
Autor: Maria Clara Prates-Estado de Minas
OBID Fonte: Diário de Pernambuco-PE