A receptividade à publicidade de álcool interfere na iniciação de seu consumo.

Antes de terminar a oitava série, 41% dos adolescentes já experimentaram álcool e 20% beberam até o ponto de intoxicação. Quando adultos, adolescentes que começaram a beber antes dos 15 anos, têm mais chances de se tornarem dependentes, de se envolverem em acidentes automobilísticos, em agressões físicas e outros comportamentos prejudiciais à saúde. A publicidade parece ser importante fator de risco à iniciação do consumo de álcool, interferindo nas expectativas e decisões de uso pelo adolescente.

Assim, dentro de uma perspectiva longitudinal, o presente estudo investigou a receptividade de adolescentes à publicidade de álcool e sua associação com a iniciação de consumo, distinguindo-se a influência dos aspectos afetivos e cognitivos (ex.: reconhecimento e recordação de marcas e anúncios publicitários de bebidas alcoólicas).

A pesquisa contou com a opinião de 1089 adolescentes de faixa etária ente 10 e 15 anos. A participação foi solicitada em dois momentos distintos, ou seja, uma avaliação inicial e seguimento 12 meses depois. Durante o seguimento, foram recrutados apenas os adolescentes que nunca haviam experimentado álcool na vida. Em ambos os momentos, foi pedido aos adolescentes que respondessem um questionário cujos tópicos mensuravam o uso de álcool (na vida, no último mês e na última semana) e a receptividade do adolescente à publicidade de álcool. Quanto a essa variável, os adolescentes foram divididos em três grupos, ou seja, de receptividade alta, moderada e baixa. A recordação e o reconhecimento de marcas e propagandas de bebidas alcoólicas foram mensuradas para investigar sua interferência sobre o comportamento de beber.

A amostra foi constituída com leve predominância de meninas (57,3%). Quanto ao uso de álcool na vida (qualquer uso), 29% dos adolescentes que nunca haviam bebido (na avaliação inicial), fizeram-no no seguimento do estudo (após 12 meses). O reconhecimento e a recordação das marcas de bebidas alcoólicas correlacionaram-se à iniciação desse consumo. Em comparação aos adolescentes de mínima receptividade à publicidade, os de alta receptividade tinham 77% a mais de riscos de terem iniciado o consumo de álcool. Quanto ao uso recente, no seguimento do estudo, cerca de 13% dos adolescentes que não bebiam, passaram a fazê-lo na freqüência de 1-2 dias dentro dos últimos 30 dias. Novamente, os adolescentes de maior receptividade apresentaram 75% mais riscos de desenvolver esse tipo de consumo.

Assim, conforme os autores, as três medidas de publicidade (receptividade, reconhecimento e recordação) interferiram sobre o uso na vida e recente de bebidas alcoólicas. Porém, o efeito da receptividade parece ser mais significativo, sugerindo que respostas afetivas sejam mais preditoras do comportamento de beber que medidas cognitivas. Ainda de acordo com os autores, frente aos presentes resultados e à literatura, em função da penetração da publicidade de álcool no mundo dos jovens, é preciso monitorá-la, principalmente no que diz respeito à distribuição de itens promocionais a adolescentes. Porém, ainda não se sabe sobre os mediadores e moderadores da receptividade sobre o comportamento de saúde e de beber dos adolescentes, necessitando-se de mais estudos para esclarecê-los.

Título: Receptivity to Alcohol Marketing Predicts Initiation of Alcohol Use.
Autores: Lisa Henriksen, Ellen C. Feighery, Nina C. Schleicher e Stephen P. Fortmann.
Fonte: Journal of Adolescent Health, 42 (1), 28-35, 2008.
IF.: 2,710
Fonte:CISA – Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool