Alagoas proíbe bebida após às 23h em bairros violentos

A partir da próxima semana, a venda de bebidas alcóolicas será proibida das 23h às 5h nos bairros mais violentos de Alagoas – as áreas serão definidas pelo governo. A “lei seca” fora sancionada em julho de 2007 pelo governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), mas não havia sido posta em prática.

Segundo o secretário interino da Defesa Social, Ronaldo dos Santos, bares que não respeitarem a lei serão interditados. Ele assumiu o comando da segurança pública do Estado na terça-feira, um dia após o pedido de exoneração do ex-secretário Edson Sá Rocha.

O pacote foi anunciado ontem pelo governo de Alagoas para tentar conter a crise de segurança do Estado, que enfrenta greve de policiais civis e aumento da criminalidade. Entre as medidas previstas, estão ainda operações ostensivas da PM nos locais com alta criminalidade e instalação de câmeras de vigilância em vias de acessos a Maceió. O mapeamento das regiões mais violentas da capital e do Estado ainda não foi concluído.

As operações incluirão revista e detenção de quem estiver sem documentos de identificação após as 22 horas. Os números indicam aumento de homicídios no Estado. Em janeiro deste ano, o Instituto Médico Legal de Maceió registrou 129 homicídios, um aumento de 65% ante janeiro de 2007 (78 homicídios). O secretário anunciou a montagem de núcleo de estatística para mapeamento das ocorrências criminais no Estado. Atualmente, cada órgão de segurança tem o seu próprio levantamento.

A Polícia Civil entrou em greve em agosto do ano passado, reivindicando equiparação de salário de agentes policiais com curso superior e peritos criminais. O piso salarial deles é de R$ 1.330 e o dos peritos, R$ 3.047. Os delegados do Estado ameaçaram entrar em greve por reivindicação de aumento salarial.

Para o secretário interino Ronaldo dos Santos, a paralisação da Polícia Civil contribuiu para o aumento da violência no Estado. “Existe, sim, relação próxima (entre a greve e o aumento dos crimes) na medida em que não se investiga, não se faz diligências e alguns inquéritos não são feitos”, disse.

Ontem, o Sindicato dos Policias Civis de Alagoas fez mais uma assembléia em Maceió, mas a paralisação foi mantida. Segundo o presidente do sindicato, Carlos Jorge da Rocha, o governo pediu mais tempo para decidir se aceita a contraproposta do sindicato. Nova assembléia foi marcada para terça-feira, 19. Segundo Rocha, os policiais aceitam o reajuste de 36,7%, desde que o aumento seja pago em seis parcelas mensais, e não em 36, como proposto pelo governo.
Autor: Sílvia Freire
OBID Fonte: O Povo-CE