Paraná terá 1,2 mil novos casos de câncer bucal

Principais fatores de risco são: fumo, álcool, higiene precária e uso de próteses dentárias mal-ajustadas; chances de cura chegam a 80%

Curitiba – O Instituto Nacional do Câncer estima que sejam registrados no Brasil mais de 14,2 mil novos casos de câncer bucal em 2008. Somente no Paraná, deverão ser 1,2 mil registros novos deste tipo de doença sendo que 260 em mulheres e 970 em homens. Quase 40% dos casos acabam em morte. Pensando nisto, o Conselho Regional de Odontologia (CRO) e o Hospital Erasto Gaetner desenvolveram ontem a Ação de Prevenção e Diagnóstico do Câncer Bucal, com realização de palestras com especialistas e professores do Paraná e de São Paulo.

Uma das preocupações é com a prevenção. Até porque, 70% dos diagnósticos hoje são feitos quando a lesão atingiu um estágio avançado. No Brasil, geralmente desenvolve câncer bucal o indivíduo do sexo masculino, trabalhador, acima dos 30 anos, fumante, consumidor de bebidas alcoólicas e de classe social menos favorecida. Os principais fatores de risco são: fumo, álcool, higiene precária e uso de próteses dentárias mal-ajustadas. Entre os sintomas principais estão o aparecimento de feridas na boca que não cicatrizam em até uma semana, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas nos lábios e na mucosa bucal, dificuldade da fala, do ato de mastigar, emagrecimento acentuado, dor e ínguas no pescoço.

´´Quando aparecerem manchas brancas, avermelhadas, caroços ou feridas em qualquer região da boca e elas permanecerem por mais de 15 dias, o cliente deve, imediatamente, procurar um detista para orientá-lo. Caso seja diagnosticado o início de um câncer, acontece o encaminhamento a um serviço especializado´´, informou Laurindo Moacir Sassi, chefe do Serviço de Cirurgia Buco Maxilo Facial do hospital.

O ato ontem foi preparatório para uma ação maior que ocorrerá 7 e 12 de abril, em todo o Paraná. Quando o câncer bucal é diagnosticado, a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia – isolada ou associada aos outros tratamentos – são os métodos terapêuticos usados. A cirurgia e a radioterapia são mais indicadas quando as lesões estão na fase inicial. Se o câncer bucal é descoberto nesse período, as chances de cura são de 80%.

Uma pesquisa publicada no jornal Oral Oncology, em 2002, ouviu oito mil paranaenses e descobriu que 22% desconhecem a prevenção de câncer bucal e 55% nunca fizeram exame. O câncer bucal geralmente ocorre nos lábios, dentro da boca, na parte posterior da garganta, nas amígdalas ou nas glândulas salivares.
Autor: Luciana Pombo
OBID Fonte: Folha de Londrina – PR