Secretaria Especial Antidrogas combaterá violência ligada ao tráfico

O prefeito Beto Richa anunciou nesta segunda-feira (18) a criação da Secretaria Municipal Especial Antidrogas, com o objetivo de reduzir índices de homicídios e outros crimes ligados ao tráfico de drogas em Curitiba. O delegado Fernando Francischini, que chefiava a Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal, em São Paulo, foi cedido pelo Ministério da Justiça para ocupar o cargo. “Segurança é uma atribuição constitucional do governo do Estado, mas a Prefeitura fará sua parte para reduzir os índices alarmantes de violência, que colocam Curitiba na sétima posição do ranking de mortalidade por arma de fogo entre as capitais”, afirmou Richa.

O novo secretário coordenará um trabalho articulado com secretarias como Defesa Social, Educação, Saúde, Cultura, Esporte e Lazer, Ação Social e Assuntos Metropolitanos, para desenvolver projetos em locais com altos números de homicídios e tráfico de drogas. “Vamos trabalhar principalmente com as crianças e jovens, disputando seu tempo e atenção, oferecendo projetos com atividades interessantes, para cortar o fluxo financeiro do tráfico”, explica Fernando Francischini.

A secretaria fará parcerias com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) e Conselho Nacional de Entorpecentes (Conen), entre outros órgãos. “Vamos agir também na Região Metropolitana de Curitiba, porque é impossível pensar a questão do tráfico de drogas sem envolver municípios conurbados à capital, como Colombo, Pinhais e Almirante Tamandaré”, diz o delegado.

A Secretaria Antidrogas terá apoio do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), instituído pelo Ministério da Justiça em onze regiões metropolitanas consideradas mais violentas, de acordo com pesquisas do ministério. O Pronasci pretende articular políticas de segurança com ações sociais, priorizando a prevenção e buscando atingir as causas da violência. O governo federal pretende investir R$ 6,7 bilhões no programa até 2012.

Ação – Um dos projetos previstos é o Esporte à Meia-Noite, baseado em uma experiência que obteve sucesso em Brasília. A idéia é organizar uma escolinha de futebol para crianças, adolescentes e jovens adultos, entre 23h e 2h, às sextas-feiras e sábados, que são períodos de maior movimento para os traficantes. Outro projeto pretende usar o hip hop para atrair jovens para atividades no mesmo período. Para participar dos projetos, será exigida a presença escolar dos jovens.

A Secretaria Especial Antidrogas de Curitiba também vai formatar e padronizar um conjunto de informações e preparar material para formar multiplicadores de informações, fazendo palestras para capacitar principalmente professores de escolas de Curitiba e Região Metropolitana para ajudar a inibir o consumo e o tráfico de drogas.

Para justificar as ações, o secretário explica que os estudos mostram que 70% dos homicídios com arma de fogo estão relacionados ao tráfico de drogas em locais como o Rio de Janeiro, e chegada a 65% no Jardim Ângela, bairro de São Paulo que era conhecido pela violência, há dez anos.

“Hoje, depois de um trabalho social, o jardim Ângela passou a ser referência para a Organização das Nações Unidas (ONU)”, conta Francischini, que a pedido do prefeito Beto Richa visitou várias cidades e conheceu diversos projetos focados no combate ao tráfico para desenvolver o projeto de ação da Secretaria Especial Antidrogas de Curitiba. O prefeito está encaminhando à Câmara Municipal o projeto que cria a nova secretaria, que deverá ter uma superintendência de três diretorias.

Perfil – Fernando Francischini é nascido em Londrina e tem 37 anos. É ex-oficial da Polícia Militar e ex-oficial temporário do Exército, também no Paraná. Formado em Direito pela Universidade do Distrito Federal, tem especialização em planejamento operacional de grandes operações e fez diversos cursos na área de gerência de operações integradas de repressão a ao tráfico de entorpecentes em organizações como o Departamento de Combate às Drogas dos Estados Unidos (DEA), Interpol e Polícia nacional de Portugal.

Como delegado, participou do planejamento de todas as grandes operações organizadas pela Polícia Federal nos últimos cinco anos. Entre os casos mais recentes está a prisão do colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia, Juan Carlos Ramirez Abadia e do contrabandista Law Kim Chong.

No Paraná, Francischini teve participação, entre outros casos, na prisão de Paulo Mandelli, o “rei do desmanche”, e na Operação Tentáculos, que culminou com 85 mandados de busca e apreensão cumpridos em residências e escritórios dos integrantes de uma quadrilha de extermínio formada por policiais e traficantes envolvida em tráfico de drogas e armas, roubo a estabelecimentos comerciais e transporte de valores, roubo e receptação de veículos e organização de milícias armadas contra sem-terra. Esta operação foi desencadeada pela investigação do assassinato do major Pedro Plocharski, subcomandante do 13.º Batalhão da PM, em janeiro de 2005.

Atuando na Polícia Federal há 12 anos, Francischini afirma que tinha uma sensação de seu trabalho era como enxugar gelo. “Você prende um traficante e no dia seguinte tem outro no lugar dele. Eu queria colocar em prática um projeto mais próximo da população, com possibilidades mais efetivas de reduzir o crime. O prefeito Beto Richa abriu esta oportunidade, quando nos procurou”, conta o delegado.
Autor: Portal Paranaense
OBID Fonte: O Portal Paranaense