Álcool é perigo nas universidades

Cerca de 90% das internações e 60% das mortes violentas, registradas entre jovens brasileiros, de 18 a 25 anos, são causada pelo álcool. Os números são apresentados no mestrado em Educação da pedagoga Edilaine de Oliveira Bertucchi, da Unoeste, em Presidente Prudente (SP), que teve como objetivo questionar o papel do professor no combate ao alcoolismo.

Após uma pesquisa com 1.341 universitários ela concluiu que o álcool é um elemento aglutinador; afeta mais adolescentes que adultos; induz às drogas ilícitas e, principalmente, desestimula os estudos. ´´A separação da família provoca e às vezes aumenta o consumo da bebida nesta fase. Quem a rejeita, naturalmente, é excluído do grupo. Além disso, ela é acessível e barata´´, justifica.

Inicialmente, o jovem bebe para ficar alegre. Depois, ele bebe por necessidade. O corpo acostuma-se ao álcool e, fatalmente, leva à dependência química. Segundo a pedagoga, é fácil encontrar estudantes reunidos num barzinho após a aula. ´´É cada vez maior o número de alunos que abandonaram os estudos devido à bebida. Infelizmente, a família só percebe que algo errado está acontecendo quando é tarde demais. Em geral, a partir das reprovações, surtos de agressividade e desaparecimento de objetos e dinheiro de casa. Quando o álcool não o satisfaz mais, a maconha, a cocaína e outras drogas ilícitas ocupam rapidamente seu lugar, aumentando ainda mais os prejuízos´´, diz Edilaine.

Outra constatação negativa da pesquisa é o aumento das mulheres entre os consumidores de álcool. Isto é motivo de preocupação na medida que facilita a gravidez precoce, fetos sujeitos à má formação, predisposição ao alcoolismo e graves danos neurológicos. A sugestão da pedagoga é capacitar os professores a enfrentarem esse ´inimigo´ dentro e fora das salas de aula. ´´A exemplo do Proerd, realizado com alunos do Ensino Fundamental, poderíamos incluir palestras educativas também no Ensino Médio e universitário, discutir o assunto em classe quando pertinente, independentemente da disciplina escolar, e, quem sabe, criar um Dia de Alerta contra o Álcool´´.

Conforme informações do Alcoólicos Anônimos (AA), a participação de pessoas de 18 a 35 anos nos grupos de apoio é muito pequena. É mais fácil encontrar um adicto (dependente químico) desta faixa etária entre os Narcóticos Anônimos (NA), devido à acessibilidade que os jovens possuem às drogas ilícitas. Apesar da seriedade do trabalho executado pelos grupos, nenhum deles possui estatísticas em relação aos membros.
Autor: Betânia Rodrigues
OBID Fonte: Folha de Londrina – PR