PF e UNODC treinam agentes de polícia africanos e sul-americanos

A Polícia Federal (PF) e o Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) coordenam a partir de 25 de fevereiro um treinamento para agentes e peritos criminais da América do Sul e de países lusófonos africanos. Eles participam do Curso de Formação de novos policiais federais, com duração de quatro meses e meio. O treinamento também busca aumentar a cooperação entre os países e enfrentar de maneira coordenada o crime organizado – inclusive o tráfico de cocaína da região andina que passa pelo Brasil e segue para a Europa via oeste da África.

O treinamento integra o projeto da Polícia Federal com o UNODC e oferece vagas para policiais de países africanos (Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe) e sul-americanos (Bolívia, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Uruguai). Serão nove turmas de cerca de 350 alunos, sendo 32 estrangeiros.

Abertura

O início do treinamento terá uma cerimônia aberta ao público e à imprensa. O Diretor-Geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, e o Representante Regional do UNODC para o Brasil e Cone Sul, Giovanni Quaglia, participam da abertura, que será realizada na segunda-feira, 25 de fevereiro, às 8h30 na Academia Nacional de Polícia. As autoridades irão responder perguntas do público e dos jornalistas.

Entusiasmado com o novo projeto, Corrêa afirma que o rompimento das fronteiras brasileiras vai fazer com que a PF também adquira mais conhecimento para trabalhar no país, especialmente se forem consideradas as diferenças regionais brasileiras. “Esse é apenas o primeiro passo desse trabalho. A partir daí, vamos anualmente promover a formação de policiais parceiros e prestar assessoria de forma institucional”.

O problema da rota africana

Segundo o Relatório Mundial sobre Drogas, publicado pelo UNODC em 2007, os países mais citados da rota da cocaína que sai da América do Sul para a Europa via África são: Brasil (mais citado que a Colômbia), Peru e Venezuela. Autoridades na Guiné estimam que cerca de 60% da cocaína que chega ao país vem do Brasil e 40% vêm direto da Colômbia. “A cooperação entre diversos países que fazem parte desta rota é fundamental para uma ação eficaz. Cremos que o curso vai aproximar as agências de investigação e ajudar a enfrentar o crime organizado”, disse Quaglia.

Os países mais vulneráveis do oeste da África se tornaram um ponto importante nas rotas do tráfico de cocaína que vem da região andina para os consumidores europeus. Só em Guiné Bissau, o valor do comércio ilegal de drogas já é maior que todo o PIB do país, segundo dados do UNODC. Relatórios recentes do Escritório revelam que o tráfico América do Sul-África-Europa vem aumentando. Um quarto de toda a cocaína consumida na Europa chega ao continente via África. Em 2007, cerca de 40 toneladas foram apreendidas no oeste africano. A droga é contrabandeada por cerca de U$ 1.8 bilhão de dólares e chega ao consumidor europeu com valor de revenda até dez vezes superior.

SERVIÇO:
Abertura do Treinamento de Agentes e Peritos Nacionais e Internacionais
Dia: Segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Hora: 08h30
Local: Academia Nacional de Polícia – Rodovia DF 001 (Estrada Parque do Contorno), Km 02, Setor Habitacional Taquari, Lago Norte, Brasília/DF, CEP:
71559-900
Autor: Assessoria de Comunicação da UNODC
Fonte: Assessoria de Comunicação da UNODC