PF ensina combate ao crime

Tinta e três homens das polícias nacionais de países do Mercosul e da África iniciam, amanhã, o curso de formação de agentes e peritos criminais da Polícia Federal brasileira, uma iniciativa inédita de transferência de conhecimento. O curso, que terá 40 horas semanais e duração até julho, é apenas um dos vários projetos para treinamento de policiais africanos e latino-americanos, especialmente no combate ao crime organizado (tráfico de drogas e armas).

O programa tem o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), que está preocupada, especialmente, com o aumento de 6.000% nas apreensões de cocaína, exportadas por meio da costa da África para a Europa, em apenas sete anos, na contramão da estabilização do tráfico internacional.

Inicialmente, o curso atenderia apenas 18 policiais de Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe, países africanos de língua portuguesa, além do Paraguai e Argentina. Mas a iniciativa despertou interesse de outros países do Mercosul, como Chile, Uruguai, Peru, Colômbia, e também de Moçambique, fazendo saltar para mais de 30 os estrangeiros participantes.

Apenas os argentinos desistiram na reta final. Os policiais convidados estão sujeitos às mesmas regras impostas pela Academia Nacional da Polícia Federal aos brasileiros, como a exigência de freqüência às aulas, sendo dispensados apenas das provas, substituídas por um trabalho final, relacionado sempre com as áreas de atuação em seus países.

SELEÇÃO

Durante o processo de formação, os policiais terão que enfrentar disciplinas variadas, como tática de investigação, combate ao crime organização (tráfico de drogas e armas, controle de produtos químicos, roubo a banco e lavagem de dinheiro) e defesa dos direitos humanos e meio ambiente.

Também constam do aprendizado aulas de artes marciais, defesa pessoal, direção defensiva, tiro e até a ética, entre outras matérias. Para serem aceitos na Academia da PF, os candidatos estrangeiros passaram por uma seleção, onde tiveram que apresentar exames médicos e de aptidão física, dentro dos mesmos patrões exigidos dos brasileiros, como garantia de que suportarão os treinamentos físicos.

O delegado Getulio Bezerra, que coordena o novo projeto da PF, explica que, além de disponibilizar vagas nos cursos de formação da academia, o Brasil vai oferecer aos países de língua portuguesa e aos parceiros do Mercosul estágios especializados nas áreas de interesses de cada um deles.

Eles terão duração de uma a duas semanas e estará aberto a 30 participantes, com temas como análise de inteligência policial, mecanismos de enfrentamento ao crime organizado, rastreamento de dinheiro sujo e gerenciamento de crise, entre outros. Também serão oferecidos estágios técnicos, de 30 dias, para o acompanhamento das técnicas de fiscalização de portos e aeroportos e controle do produtos químicos, por exemplo.
Autor: Maria Clara Prates
OBID Fonte: Estado de Minas – MG