Juventude consome mais álcool

“Proibida a venda de bebidas alcóolicas para menores de 18 anos”, existe a lei e as placas com esta mensagem se encontram instaladas em bares, restaurantes e similares. No entanto, o consumo de bebida alcóolica entre jovens e adolescentes cresce assustadoramente e fica a interrogação sobre os motivos que levam tantos jovens ao vício desde a adolescência e até mesmo na infância.

Para os especialistas o exemplo dos pais, a influência da mídia, da turma e dos ídolos influenciam demais neste tipo de comportamento, que já é encarado na sociedade como um costume, uma cultura. É normal as pessoas se reunirem só para beber.

O governo federal tem demonstrado preocupação diante das estatísticas que dão conta de que o Brasil é um dos países onde há maior consumo de álcool no mundo, após dados levantados pela Organização Mundial da Saúde(OMS), pois no início do ano passado, através da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), lançou 16 frases com informações mais claras sobre os efeitos e os males causados pelas bebidas alcoólicas, veiculados junto com as campanhas publicitárias.

Só para se ter uma idéia da precocidade na utilização do álcool no país: segundo o II Levantamento Domiciliar sobre Uso de Drogas Psicotrópicas, promovido pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), em 108 cidades com mais de 200 mil habitantes, 12,3% com idades entre 12 a 65 anos são dependentes de bebidas alcóolicas.

Para o médico psicoterapeuta e educador, Antônio Pedreira, esta incidência de adolescentes e jovens para o uso do álcool está ligada ao exemplo familiar. “O exemplo fortifica muito mais que os sermões”, afirma o médico. O psicoterapeuta explica que os pais “enchem a cara” a cada final de semana e os filhos estão assistindo a tudo isto.
“Já observam isto há muito tempo, então é natural achar que esta conduta é normal vendo os pais de pileque dizendo tantas coisas e os filhos acham que faz parte do jogo da vida beber “. Neste aspecto, o médico dá exemplo de sua conduta familiar e afirma que não bebe, não fuma e não usa drogas e seus quatro filhos seguem o seu exemplo.

Na concepção de Pedreira, há uma permissão dos pais para que os filhos bebam porque quando estão tomando seus drinques e um dos filhos, criança ou adolescente, se aproxima, solicitando a bebida, a resposta é : “Você não pode beber porque é muito jovem”.
Nesta simples frase, o educador traduz como uma permissividade para que o adolescente beba na sua vida adulta. “Os pais programam os filhos para beber, pois é uma droga aceitável, mesmo que existam campanhas para ser usada com toda a moderação, já é um costume as pessoas afirmarem: vamos ali tomar uma, vamos fazer um happy hour”. Para ele todos estes termos não passam de um eufemismo da droga.

“Estamos vivendo uma cultura de disfarce, permissível, as pessoas acham que para estar alegres têm que tomar uma bebida alcoólica. Meu sonho é botar uma bula na bebida. As pessoas têm que saber o que a bebida faz”, desabafa.
O médico Antônio Pedreira assegura que até os 12 anos, as crianças sofrem maior influência dos pais, por isto não adianta dizerem para os filhos não beberem ou não fumarem, se fazem isto na frente deles. Já dos 12 aos 19 anos os jovens se sentem influenciados pelos mestres e a turma.

Nesta fase, Pedreira argumenta que “na faixa do mestre, a maior influência é o que a turma diz”. O médico também explicou que nesta fase os adolescentes são também levados pelos ídolos. Se estes estiverem fazendo propaganda de bebidas, podem atribuir à bebida o sucesso que fazem na mídia.
Autor: Tribuna da Bahia
OBID Fonte: Tribuna da Bahia