Quatro pelotões resguardam fronteira com Peru e Colômbia

Eles também atuam em conjunto com a PF para conter a entrada de cocaína no país.

Se for necessário, região pode receber reforço militar de todo o país em menos de 14 horas.

Apesar da recente ameaça de conflito entre Colômbia e Equador, não houve necessidade de reforço do efetivo do Exército Brasileiro na fronteira para resguardar o território brasileiro nos últimos dias. Segundo o tenente-coronel Antonio Elcio Franco Filho, comandante do 8º Batalhão de Infantaria de Selva (BIS), o clima é de tranqüilidade na fronteira do Brasil com a Colômbia. “A situação é tão normal que até fizemos a incorporação dos recrutas normalmente na semana passada. Não sentimos, nos últimos dias, nenhum efeito migratório na região de Tabatinga”, disse.

O G1 viajou para Tabatinga, na fronteira com a Colômbia, para mostrar como é o trabalho do Exército e da Polícia Federal na região amazônica e como está o clima entre moradores, comerciantes e militares.

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O Exército Brasileiro tem mil homens para vigiar 1.632 quilômetros de fronteira do Brasil com a Colômbia e com o Peru. A vigilância fica sob responsabilidade do 8º BIS. O efetivo fica dividido em quatro pelotões.

A questão logística na Amazônia, no entanto, é um dos complicadores da ação de proteção da soberania nacional. Franco Filho afirmou ao G1 que a selva amazônica que separa o Brasil da Colômbia e do Peru é de difícil acesso. “O Sul da Colômbia não é uma área de preferência das Farc. A região é extremamente alagadiça. Por isso, a questão logística distancia a guerrilha daqui”, disse.

Além disso, o controle aéreo na região da tríplice fronteira é muito eficaz. “A lei do abate também deu um reforço para controlar o fluxo irregular de aeronaves que existia aqui. Agora, só resta o meio fluvial”, afirmou o comandante do Exército em Tabatinga.

Glauco Araújo/G1

Franco Filho mostra distribuição do Exército (Foto: Glauco Araújo/G1) Tráfico, descaminho e contrabando.

Distribuídos em quatro pelotões na selva, os mil homens do BIS atuam em conjunto com a Polícia Federal (PF) para conter a entrada de cocaína no país, além do descaminho e contrabando. “Mantemos dois agentes da PF em nossos pelotões. É um trabalho em conjunto. Não sabia que cimento era usado no refino da cocaína, então, passamos a controlar o fluxo desse produto nas vias fluviais. Nos dois últimos anos, foram apreendidos mais 740 quilos de cocaína”, disse Franco Filho.

As ´´mulas´´, pessoas que são usadas pelos traficantes para transportar cocaína de um país para outro, recebem R$ 500 para seguir de Tabatinga até Tefé. “Quando o trajeto vai até Manaus, essas pessoas recebem R$ 1 mil. Esse é o chamado inocente útil.”

Logística

Um dos pelotões do Exército na fronteira fica em Ipiranga, a 147 quilômetros de Tabatinga, em linha reta. Para percorrer a distância, de avião, demora-se 30 minutos. Por terra (navegação), a distância sobre para 660 quilômetros e o tempo para conclusão do trajeto sobe para seis dias.

O posto em Vila Bitencourt está a 312 quilômetros de Tabatinga. Uma hora de vôo e 15 dias de barco para percorrer 1.585 quilômetros de navegação fluvial. Em Estirão do Equador, são necessários 35 minutos para transpor 192 quilômetros de distância e três dias, de barco, para vencer 435 quilômetros.

O posto em Palmeiras do Javari fica a 335 quilômetros, cerca de uma hora de trajeto de avião. Transformada em 770 quilômetros navegáveis, a distância é percorrida pelas águas em sete dias. “Essa é a mesma dificuldade que os traficantes ou contraventores têm para escoar seus ilícitos. A nossa logística tem de pensar em abastecer todos estes postos e dar suprimetos e todo o suporte necessário para os militares que lá estão. Seja por avião, via terrestre ou por navegação”, disse Franco Filho.

Confronto

“Em toda a história, só temos o registro de um ataque das Farc a militares brasileiros. Foi em fevereiro de 1991, quando três sentinelas foram mortos por guerrilheiros. De lá para cá, eles respeitaram a soberania brasileira”, lembrou o comandante, que está em Tabatinga desde dezembro de 2007.

Ele disse que, em caso de necessidade, a região receberá reforço militar de todo o país em menos de 14 horas. “Temos condições de mobilizar a elite da nossa corporação para cá em casos extremos. Felizmente a situação nãos nos coloca essa demanda.”

Autor: Últimas Notícias/Glauco Araújo
OBID Fonte: G1 Online