Aumenta procura feminina por clínicas que ajudam a abandonar o cigarro

O número de mulheres que procuram ajuda médica para abandonar o cigarro tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. Ao ponto de elas serem hoje a maioria nas clínicas do tipo, de acordo com o pneumologista Sérgio Ricardo Santos, coordenador do Núcleo de Apoio à Prevenção e Cessação do Tabagismo (PrevFumo) da Universidade Federal Paulista (Unifesp).

Só nos consultórios do Prevfumo, segundo o médico, elas já são 60%. E o número não pára de aumentar. Algo justificável por dois importantes fatores: as mulheres são muito mais prejudicadas pelo hábito de fumar e também têm mais problemas para abandonar o vício.

A dificuldade é velha conhecida da professora paulistana Tatiana Athaydes, de 26 anos, que já tentou largar o cigarro quatro vezes. “Na primeira, fiquei cerca de cinco meses. Na segunda, quase um ano. Na terceira e na quarta, cerca de um mês”, contou ela ao G1.

Durante todas as tentativas, a experiência foi traumática. “Ficava muito nervosa e ansiosa, começava a descontar tudo isso na comida e acabava sendo até um pouco grossa com as pessoas ao meu redor”, conta Tatiana. “Me sentia na necessidade de cortar totalmente a minha vida social para não ter contatos com fumantes pelo menos no início, mas não consigo fazer isso”.

Esse comportamento não é estranho a Santos. “Há dois principais fatores que dificultam a vida das mulheres na hora de parar de fumar: o risco de depressão e o medo de engordar”, explica ele.

As mulheres já têm uma tendência maior que a dos homens de cair nas armadilhas da depressão clínica. “Quando param de fumar são dois fatores de risco que se unem”, conta o médico. Os sintomas de tristeza e a necessidade de se isolar, como os que aconteceram com Tatiana, são o que normalmente fazem as mulheres terem recaídas.

O segundo fator, o medo de engordar, tem um poder também bastante considerável. A mulher abandona o cigarro e assim que percebe o aumento no peso, volta a fumar. “Ela dá muito mais importância à aparência do que os homens e isso complica bastante”, afirma Santos.
No entanto, apesar das dificuldades serem maiores, os benefícios de parar de fumar para as mulheres também acabam sendo mais elevados.

Riscos para a saúde

Em comparação com os homens, as mulheres não apenas apresentam um risco maior de desenvolver toda e qualquer doença relacionada ao tabagismo, como também têm um número maior de enfermidades associadas ao hábito – por causa dos problemas que fumar causa na gestação.

Entenda os males causados pelo fumo na gravidez
Tentar não engravidar também é outra fonte de preocupação. Mulheres que tomam anticoncepcionais estão proibidíssimas de sequer pensar em cigarro. Tanto o fumo quanto o contraceptivo “engrossam” o sangue e aumentam muito o risco de uma trombose. “O risco é elevadíssimo”, alerta Sérgio Ricardo Santos, “e aumenta com outros fatores, como viagens longas, obesidade e acidentes prévios”.

Tentar conseguir uma gravidez, como já seria esperado, também se complica pelo fumo. “O cigarro é a principal causa de infertilidade em mulheres”, explica o pneumologista. “Em boa parte dos casos, o problema se resolve assim que a mulher pára de fumar”, conta ele.

Tratamento

Mesmo com tudo tão difícil, Sérgio Ricardo Santos avisa: é possível, sim, parar de fumar. E os especialistas na área são cuidadosos quando estão tratando de mulheres. “O médico leva em consideração todo o ciclo hormonal e os fatores de risco da mulher na hora de fazer o tratamento e receitar a medicação”, garante o professor.

Autor: Ciência e Saúde
OBID Fonte: Site do G1- Globo.com