Salvador tem a menor freqüência de fumantes

A menor freqüência de fumantes (11,5%) entre as capitais brasileiras foi registrada em Salvador, que também é a que menos consome carne vermelha gordurosa ou frango com pele sem remover a gordura visível do alimento (22,9%). Em contrapartida, está no primeiro lugar no ranking do consumo abusivo de bebidas alcoólicas entre mulheres (14%) e é também a capital onde está o maior percentual de homens que avaliam sua saúde como ruim (7%). Os números são resultados de uma pesquisa nacional que revela os hábitos relacionados à saúde dos brasileiros adultos.

Trata-se do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo. No questionário, perguntas sobre tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, obesidade, ingestão de frutas e hortaliças, atividade física, proteção contra raios ultravioletas, auto-avaliação do estado de saúde, diagnóstico autodeclarado de hipertensão e diabetes e, para as mulheres, exame de mamografia e preventivo de colo de útero (Papanicolau).

Os resultados do Vigitel mostram que, de uma forma geral, as brasileiras têm cuidado mais da saúde: alimentam-se melhor, fumam menos, são menos sedentárias, bebem menos e têm menos excesso de peso. Por outro lado, cerca de 43,4% da população adulta está com excesso de peso (IMC> 25), apenas 17,7% da população atendem às recomendações da OMS de comer cinco porções diárias de frutas e hortaliças, o consumo de carne com gorduras aparentes está no cotidiano de 32,8% da população e 29,2% dos adultos são sedentários.

A pesquisa se consistiu em mais de 54 mil entrevistas telefônicas, com um mínimo de dois mil indivíduos adultos (com 18 anos ou mais) em cada uma das 26 capitais e no Distrito Federal. A amostragem foi realizada a partir de cadastros das linhas telefônicas residenciais de cada cidade, onde um morador foi selecionado para ser entrevistado. Para a análise dos dados, foram utilizados fatores de ponderação que igualam a composição sócio-demográfica da amostra em cada cidade àquela observada no Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2000.

Com isto, todas as faixas etárias, de sexo e escolaridade são representadas, conforme a distribuição populacional do Brasil.

O inquérito é feito anualmente desde 2006. “Estamos construindo uma linha de base para o monitoramento dos fatores de risco de doenças crônicas não transmissíveis. A idéia é, a partir dos dados, basear as políticas públicas de promoção à saúde e prevenção de doenças não transmissíveis”, explica a coordenadora de doenças e agravos não Transmissíveis da Secretaria de vigilância em Saúde, Deborah Malta.

NÚMEROS

TABAGISMO

A freqüência de fumantes nas 27 cidades é de 16,4%. A cidade com maior freqüência é Porto Alegre (21,7%) e a menor é Salvador (11,5%).

OBESIDADE

Aqueles com excesso de peso já somam 43,4% da população das capitais brasileiras. A maior parcela de adultos com excesso de peso está em Cuiabá (49,7%), tanto em homens (57,0%) como em mulheres (42,2%), e a menor em Palmas (33,4%).

FRUTAS E HORTALIÇAS

O consumo recomendado pela OMS é de 400g/dia de frutas e hortaliças, o que corresponde a cinco ou mais porções, pelo menos em cinco ou mais dias por semana. No conjunto das capitais e no Distrito Federal, a freqüência da população adulta que consome essa quantidade foi de 17,7%. A maior freqüência foi em São Paulo, que tem 23% da população com esse hábito. Porto Velho apresenta apenas 10%.

ÜCARNES GORDUROSAS

O consumo de carne vermelha gordurosa ou frango com pele sem remover a gordura visível do alimento foi de 32,8% da população adulta de todas as capitais e Distrito Federal. A freqüência foi maior em Campo Grande, (45,6%) e menor em Salvador (22,9%).

LEITE INTEGRAL

O leite integral é consumido por 53,2% da população do conjunto das cidades estudadas. A faixa de consumo variou entre 42,7%, em Vitória (menor ingestão), a 64% em Belém (maior ingestão).

REFRIGERANTES

A freqüência de adultos que consomem refrigerantes cinco ou mais dias da semana variou de 21% em Aracaju (menor regularidade) a 38% no Macapá (maior). No conjunto das capitais e Distrito Federal, 26,7% dos entrevistados bebem refrigerantes.

ATIVIDADE FÍSICA

São poucos os adultos que praticam atividade física suficiente no lazer (30 minutos diários de intensidade leve ou moderada, em cinco ou mais dias da semana, ou 20 minutos de intensidade vigorosa em pelo menos três dias). A freqüência varia entre 11,3% em São Paulo e 20,5% em Vitória. No conjunto das capitais, a prática regular foi de 15,5%.

BEBIDAS ALCOÓLICAS

O consumo abusivo de bebidas alcoólicas variou entre 13,4%, em São Paulo e 23% em São Luís. A freqüência no conjunto das capitais foi de 17,5%. Na maioria das cidades, a ingestão foi três vezes maior nos homens (27,2%) do que nas mulheres (9,3%). O maior percentual entre os homens se deu em São Luís (39%) e o menor em São Paulo (21%). Entre mulheres, Salvador é a capital com maior consumo (14%) e Curitiba o menor (5%).

AUTO-AVALIAÇÃO DA SAÚDE

A auto-avaliação da saúde, com uma única questão que pede para o indivíduo classificar seu estado de saúde em excelente, bom, regular ou ruim, tem sido utilizada em inquéritos de saúde. Cerca de 5% dos brasileiros avaliaram seu estado de saúde como ruim. A freqüência de adultos que auto-avaliou seu estado de saúde como ruim variou entre 3,3% em Belo Horizonte e 7,9% em Manaus (maior freqüência). Entre homens, o maior percentual foi em Salvador, com 7%, e, entre mulheres, Manaus, com 10%.

CÂNCER DE COLO DE ÚTERO

O Ministério da Saúde recomenda o exame de colo de útero a cada três anos para todas as mulheres entre 25 e 59 anos, que apresentaram citologia normal no último exame. Para o conjunto das capitais, o percentual foi de 82%, sendo que os maiores percentuais foram observados em São Paulo (90%) e Porto Alegre (90%) e os menores em Teresina (68%) e Fortaleza (69%).

MAMOGRAFIA

A freqüência de mulheres entre 50 e 69 anos que realizaram mamografia nos dois últimos anos no conjunto foi de 70,8%, sendo que o maior percentual ocorreu em Florianópolis (85%), seguido de Vitória (84%) e Porto Alegre (81%). Boa Vista (52%) e Macapá (54%) são os locais onde uma parcela menor de mulheres fizeram o exame nesse período.

Autor: Editoria Aqui Salvador
OBID Fonte: Correio da Bahia-BA