Os efeitos de álcool e drogas

A novidade no número de mortes crescentes está em um estudo que comprova as recentes pressões sociais da maléfica combinação de álcool, drogas e saúde pública. A confirmação catalogada das influências desses temas está em pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso de um mestrado de Saúde Coletiva.

Os dados começam pela cifra impensável de que em 25 anos, em Cuiabá e Várzea Grande, foram mortas 13.339 pessoas. Para ser didática, a reportagem de hoje de “A Gazeta” demonstra que o total de vítimas de mortes como de homicídios, suicídios, acidentes de transporte e de trabalho equivalem à população de uma cidade média de Mato Grosso como Sapezal, no oeste do Estado.

Em duas décadas e meia foram mortos, pela média, de forma violenta, três pessoas a cada dois dias.
Entretanto, o dado que não pode ficar somente na pesquisa, mas que possa servir de um cutucão em nossas autoridades, é o fato de que o álcool e as drogas tenham respondido por 59% das internações hospitalares.

A pesquisa mostra que além de abarrotar unidades de saúde, esse consumo moderno tem como origem para quatro de cada dez acidentes do trabalho. Ou seja, além de provocar mortes comparáveis a uma cidade inteira no período analisado, as duas vertentes ainda acumulam outras perdas irreparáveis.

Há triplo prejuízo do álcool e drogas neste caso: vidas subtraídas de famílias, custo no setor de saúde e a interrupção de renda dos trabalhadores que beberam e foram trabalhar.

O estudo, é bom que se diga, não foi de período sazonal, tipo final de ano, ou de um tempo curto de avaliação. São relatos de 25 anos de pesquisa apoiado sobre o guarda-chuva de uma instituição séria. Houve cuidado da pesquisadora em recolher informações nos registros de hospitais e em setores de urgência e emergência dos prontos-socorros.

Não é para menos que a pesquisa consegue clamar aos responsáveis, de áreas essenciais na vida dos mato-grossenses, para a imediata mudança na forma de tratar e acompanhar vidas humanas. Está mais uma vez claro, como tantos dados revelados sobre educação, saúde, segurança e meio ambiente, que é necessária alterar a atitude, de todos. Sob pena de pessoas continuarem a ser apenas mais um número.

Autor: A Gazeta – MT
OBID Fonte: A Gazeta – MT