Desenvolvimento de um Jogo Terapêutico para Prevenção da Recaída e Motivação para Mudança em Jovens Usuários de Drogas

A adolescência é a fase em que se registra uma grande preocupação em relação ao uso de drogas. Por diferentes fatores, os adolescentes encontram-se em um momento de maior fragilidade, vulneráveis à experimentação, o que poderá, ou não, levar ao abuso ou dependência.

Em artigo publicado pela Revista Psicologia: Teoria e Pesquisa, com título “Desenvolvimento de um Jogo Terapêutico para Prevenção da Recaída e Motivação para Mudança em Jovens Usuários de Drogas”, os autores desenvolveram um jogo de cartas para ser utilizado no tratamento de jovens usuários de drogas.

A técnica intitulada “Jogo da Escolha” aborda crenças típicas a respeito do uso de drogas e promove habilidades de enfrentamento para situações que ameacem a abstinência do paciente, visando motivá-lo a mudança e prevenir a recaída. O método também trabalha situações ligadas à pressão do grupo, elementos que acionam o comportamento relacionado ao uso de drogas e pensamentos mantenedores do uso de drogas.

Durante o jogo, o terapeuta estimula o questionamento de crenças comuns que usuários de drogas costumam cultivar, por exemplo: “não vale a pena largar as drogas porque me sinto um fracasso quando recaio”. Dessa forma, o paciente poderá melhorar o seu repertório de habilidades de enfrentamento e, conseqüentemente, a sua auto-eficácia, sentindo-se mais capaz de lidar com situações de risco, podendo, efetivamente parar ou a diminuir o uso.

Para testar o jogo proposto, foi realizado um estudo-piloto com 20 pacientes ambulatoriais do mesmo centro de tratamento. A média de idade foi de 19,1 anos e o grupo era composto por 16 homens e quatro mulheres. Durante todo o jogo, os autores buscaram empregar uma linguagem que correspondesse à utilizada por adolescentes usuários de drogas levando em conta fatores socioeconômicos e culturais.

Segundo os autores do estudo, a avaliação do conteúdo foi eficiente em confirmar que a técnica estava calcada em uma base teórica apropriada. O método também pode ser utilizado para os devidos fins terapêuticos, como em ambulatórios, internações psiquiátricas e postos de saúde, podendo ser adaptada futuramente para um formato de grupo.

Os autores concluíram, ainda, que a realização do estudo-piloto propiciou adequações no nível de compreensão da maioria dos jovens. Além disso, segundo eles, foi possível observar que o jogo seria mais eficiente se empregado em três sessões individuais.

Diante dos dados apresentado pelos autores, concluiu-se que adolescentes usuários de drogas, quando não tratados, provavelmente, continuam a fazer uso delas quando adulto – o que deve servir de motivação e de incentivo para que estudos, como o apresentado neste artigo e os já sugeridos, sejam apoiados e executados.

Texto resumido pelo OBID a partir da publicação na Revista Psicologia: Teoria e Pesquisa Out-Dez 2007, Vol. 23 n. 4, pp. 407-414, do Departamento de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB).

Autor: WILLIAMS, A. V.; MEYER, E.; PECHANSKY, F.
Fonte: OBID