Fumo é tema de campanha mundial contra o câncer

Nova campanha e velho problema. Nas ações que marcaram o Dia Mundial contra o Câncer, lembrado ontem em todas as associações de combate à doença do mundo , a União Internacional Contra o Câncer (UICC) escolheu o fumo como o alvo da prevenção 2008/2009.

O cigarro, velho inimigo dos pulmões, ainda assusta os pesquisadores. O tabagismo é responsável ou está associado a assustadores 90% dos casos de câncer de pulmão. Os derivados do tabaco serão combatidos com mais enfase por todo o mundo.

A campanha informa que as descobertas de novas técnicas de tratamento e cirurgias mais sofisticadas não substituem os métodos preventivos de evitar o câncer de pulmão. “O tabagismo é a causa conhecida mais potente de câncer de pulmão, a que mais cresce em todo o mundo. Pesquisas científicas informam que o vício de fumar é devastador na maioria dos casos”, informa a astente social do Inca (Instituto Nacional de Câncer) de Rio Preto Lígia Regina Belani.

Estimativas brasileiras do Instituto projetam o registro de quase um milhão de novos casos de câncer no Brasil em 2008 e 2009 (em torno de 466 mil a cada ano). Sendo os tipos mais incidentes, os de próstata e de pulmão para o sexo masculino, e mama e colo de útero para o sexo feminino. “Em Rio Preto ainda não existem dados sobre os tipos de câncer mais incidentes, nem o perfil econômico e gênero do paciente, porém, uma pesquisa está sendo levantada para mostrar os números”, informa.

A psicóloga e coordenadora de saúde da Capacc (Casa de Apoio ao Paciente Adulto Carente com Câncer) Vera Lúcia Ribeiro Sapotti informa que o dia contra o câncer do pulmão é de extrema importância, pois certamente é uma maneira de orientar sobre a prevenção e cura. “Hoje existe um bonito trabalho preventivo na área da oncologia. No caso das mulheres, elas devem estar atentas para a fase pré-clínica, sem sintomas do câncer, quando a detecção de possíveis lesões precursoras é possível somente através do exame preventivo periódico.”

Pensando na prevenção, profissionais da área, brasileiros e americanos, trocaram experiências clínicas com especialistas em oncologia do Hospital Sírio-Libanês nos últimos dias 4 e 5. O evento, denominado “I Simpósio Internacional de Câncer de Pulmão: Avanços e Controvérsias”, foi promovido pelo IEP (Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês) em parceria com o NAT (Núcleo Avançado do Tórax) e o Centro de Oncologia. Coordenado pelo diretor do centro de oncologia do Sírio-Libanês, Antônio Buzaid, e pelos membros do corpo clínico Artur Katz e Riad Younes, o evento contou com a participação de 267 inscritos e 24 palestrantes, três deles internacionais.

O que mais se discutiu, principalmente durante a fala dos médicos internacionais, foi a alta incidência dos casos no pulmão, mesmo com os avanços da medicina. Principalmente porque a grande maioria dos casos é originária de degenerações celulares após muitos anos de fumo.

O evento foi dividido em sessões exclusivas sobre prevenção, tratamento, diagnóstico e suporte ao paciente. Além disso foi dado ênfase às novas técnicas cirúrgicas e pesquisas em andamento para novas drogas. “Os palestrantes debateram a doença localmente avançada, o papel biológico molecular, doença precoce, controvérsias cirúrgicas na adjuvância, tratamento sistêmico da doença e complicações pulmonares devido a radioterapia e quimioterapia”, diz a secretária executiva do IEP, Cátia Borges. Segundo o diretor do centro de oncologia do HSL (Hospital Sírio-Libanês), Antônio Buzaid, o tema anti-tabagismo foi um dos aspectos mais debatidos no evento, pois o fumo é hoje responsável por 30% de todos os cânceres.

“O câncer de pulmão provocado pelo consumo do tabaco já é considerado uma epidemia mundial.” Buzaid informa ainda que o câncer de pulmão é uma doença silenciosa e até mesmo os chamados fumantes passivos precisam se precaver pois, segundo estudo científico, de 10% a 15% dos cânceres de pulmão, ocorrem em pessoas que nunca fumaram.

Cigarro também pode causar doença na boca

Proporcionar às crianças um ambiente sem fumaça de tabaco é uma das quatro mensagens da Campanha Mundial contra o Câncer para pais e educadores. Pois é comprovado que crianças apresentam, com maior freqüência, problemas respiratórios como resfriados, sinusites, bronquite e asma, em ambientes que existem fumantes. Além disso, o Instituto Nacional do Câncer divulga e reforça a atenção ao problema do tabagismo passivo.

O Inca divulgou ontem dados inéditos de um estudo da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), sobre os níveis de nicotina no ar em ambientes públicos de sete cidades da América Latina, uma delas o Rio de Janeiro e ressalta a importância da prevenção contra o fumo. O oncologista clínico da Oncocamp, clínica de Campinas especializada no tratamento de câncer, Juvenal Antunes Oliveira Filho, que foi um dos participantes do “I Simpósio Internacional de Câncer de Pulmão: Avanços e Controvérsias”, informa que cigarro também é um dos principais vilões do câncer bucal. “Em torno de 80% a 90% das ocorrências são causadas pelo tabaco.”

Mais comum em homens, como mostram os dados do Inca, a doença atinge principalmente os maiores de 40 anos, ressaltao oncologista. Próteses mal adaptadas, cáries e, principalmente, feridas na cavidade oral podem originar a doença. O médico acredita que a troca de experiências clínicas e informações sempre são válidas, pois a prevenção e diagnóstico precoce são as únicas formas de combate ao câncer. “A rotina do auto-exame é uma ferramenta para prevenir a doença.” Além disso, Oliveira ressalta que é essencial que médicos se aprofundem nas novas técnicas da área de cirurgia de câncer de pulmão.

“Hoje temos hospitais como as dependências do Hospital Sírio Libânes, que é referência internacional em Oncologia” O especialista informa a importância do trabalho integrado entre profissionais para focar os tratamentos mais eficazes e individualizados e ressalta que o câncer na região da boca acomete principalmente tabagistas.

Autor: Seção Saúde
OBID Fonte: Diário Web – SP