Delegado questiona as drogas lícitas

A omissão da família e a tolerância com as drogas consideradas lícitas na formação do adolescente são fatores determinantes para o posterior envolvimento dos jovens com drogas como a maconha, cocaína e crack. A opinião é do delegado do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), Luiz Carlos Freitas Magno.

“Quando os pais não provêm condições referentes a educação, alimentação e proteção, as crianças tornam-se adolescentes vulneráveis à droga”, diz Magno, que esteve na Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), na última terça-feira, para ministrar palestra sobre o tema. Ele lembra que tanto a Constituição Federal quanto o Código Civil Brasileiro garantem tais atribuições aos responsáveis legais. “O dever de criar é da família. Estado, Igreja ou escola têm uma função complementar”.

Lícito

O delegado critica a tolerância com que a sociedade encara o uso de drogas lícitas — como cigarro e bebidas alcoólicas — pelos jovens. “Este é o grande problema contemporâneo, pois representa um facilitador para problemas maiores no futuro”.

Autor do livro Prevenção às Drogas e trabalhando há mais de 30 anos na Polícia Civil — da qual o Denarc é um dos departamentos —, Magno afirma já ter travado contato com vários casos que comprovam a teoria. “Se durante sua formação o jovem se inicia na bebida ou cigarro, a chance de que ele se envolva com maconha ou cocaína é maior”.

O delegado não considera as características da Cidade — que possui o maior porto da América Latina — facilitadora para a o problema da droga. “É um fator local, não determinante. O ócio ou falta de trabalho em algumas cidades do interior também o são. O problema é que há uma demanda fortíssima em todo o território”.

Autor: Seção Santos
OBID Fonte: A Tribuna – Baixada Santista