Brasil tem 15 mil novos casos de câncer de laringe por ano

Na Bahia não há números precisos, mas a incidência é alta entre fumantes.

A voz rouca pode parecer sexy, mas a alteração indica que a situação das pregas vocais não é das melhores. Desmistificar a idéia de que rouquidão é sinônimo de sedução é o objetivo da Campanha Nacional da Voz, que completa dez anos hoje.

O Brasil é o quarto país com o maior índice de câncer de laringe, com um total de 15 mil novos casos ao ano, segundo dados da Academia Brasileira de Laringologia e Voz (ABLV). Na Bahia, faltam números concretos, mas os especialistas garantem que a incidência é alta, principalmente entre a população fumante.

A rouquidão pode indicar a presença de uma laringite, nódulo, leucoplasia, cistos e, nos casos mais graves, o câncer. O diagnóstico precoce ajuda na prevenção de patologias mais graves e possibilita um tratamento menos agressivo. Por isso, especialistas recomendam que o laringologista seja procurado toda vez que houver rouquidão por mais de sete dias.

Através de dois exames é possível identificar se há ou não lesão nas cordas vocais. A videolaringoscopia, exame dinâmico, avalia superficialmente a situação da corda vocal. Já a videolaringoestroboscopia estuda o fenômeno vibratório das cordas vocais, numa avaliação mais aprofundada.

O vice-presidente ABLV, o otorrinolaringologista Paulo Sérgio Lins Perazzo, explica que as lesões mais comuns, chamadas de benignas, são o calo vocal (nódulo) e o cisto de laringe. A principal causa está relacionada com o abuso vocal, ou seja, a forma que se fala, os gritos, principalmente dos profissionais de voz como cantor, professor e operador de telemarketing.

Dar mais atenção aos sintomas é o conselho do otorrinolaringologista Rui Lobo. Rouquidão persistente, perda de voz, pigarros constantes, dor ardente na garganta, dificuldade para engolir e até dificuldade para respirar (em casos de tumores) indicam que algo está errado. Segundo Lobo, os incômodos podem ser uma inflamação como um tumor benigno, um pólipo (alteração na mucosa que reveste a prega vocal) ou uma leucoplasia (lesão na mucosa da prega vocal pré-cancerígena) e um câncer de laringe, considerados casos mais graves.

Lesões – Entre as lesões mais comuns, as benignas, estão os nódulos, produto do abuso vocal. “É muito comum a criança que grita muito ter esse tipo de lesão. Depois, quando a voz vai mudando devido ao crescimento, a prega vocal volta ao normal”, explica Lobo. O uso incorreto e desmedido da voz ainda acarreta outras doenças como o pólipo, o cisto e a laringite (inflamação na mucosa que reveste as cordas vocais decorrente de gripe, alergia e infecção na garganta).

As lesões mais graves possuem sintomas persistentes por meses ou anos. Quando identificada a leucoplasia, o ideal é o paciente parar de fumar, já que o cigarro é o maior agente agressor da corda vocal. Segundo Lobo, dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que quem fuma um cigarro por dia, durante longo período, tem sete vezes mais chances de ter câncer nas vias aéreas se comparado a quem não fuma.

Índice de cura chega a 100%

O câncer se caracteriza por uma lesão esbranquiçada na corda vocal, que também pode ser avermelhada. O principal sintoma é a rouquidão persistente. Para evitar a doença o ideal é não fumar. Mas, se não for possível largar o vício, no momento em que aparecer uma rouquidão, o otorrinolaringologista deve ser procurado imediatamente. O especialista Paulo Sérgio explica que quando o diagnóstico do câncer de laringe é precoce, as chances de cura se aproximam dos 100%. “Uma parte das pregas vocais é removida e o paciente é submetido à radioterapia”, explica.

Quando o tumor está avançado, a cirurgia é mais radical. “Nesses casos precisa-se retirar toda a laringe e a respiração do paciente passa a ser pelo traqueostomo”, informa o otorrinolaringologista. Outra lesão que exige procedimento cirúrgico mais delicado é o edema de Reinke. A doença é comum em mulheres, com idade acima de 40 anos, que fumam e possuem voz rouca. O edema, infiltração de líquido nas pregas vocais, evita que a pessoa fale. Nos menores graus o paciente deve parar de fumar, reeducar o uso da voz e fazer fonoterapia. Já nos casos mais graves é preciso eliminar o cigarro e fazer cirurgia para reduzir o edema.

Autor: Maíra Portela
OBID Fonte: Correio da Bahia – BA