Vida saudável

A ingestão de carne e o risco de câncer. Anualmente, cerca de dez milhões de novos casos de cânceres são diagnosticados em todo o mundo. No Brasil, as estimativas para os anos de 2008/2009 apontam que ocorrerão mais de 450 mil casos novos.

A incidência e os tipos dos tumores envolvem causas sobretudo ambientais. Estas relacionam-se aos hábitos ou costumes próprios de uma região, sendo responsáveis por 80 a 90% dos tumores. Alguns fatores são bem conhecidos, o cigarro pode causar câncer de pulmão, a exposição excessiva ao sol, câncer de pele e, alguns vírus, relacionam-se às leucemias.

Outros estão em estudo, tais como alguns componentes dos alimentos. Muitos são ainda completamente desconhecidos. Há também certa predisposição individual determinada, na maioria das vezes, por fatores genéticos, ligados à capacidade do organismo de se defender das agressões externas.

A dieta seguramente tem influência no aparecimento desta doença, no entanto, a relação entre a ingestão de carnes e os tumores é ainda obscura, apesar de saber-se da maior incidência de câncer de cólon entre as pessoas que as ingerem em grandes quantidades.

Recentemente, cientistas do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos estudaram o assunto. Observando a dieta e o histórico médico de aproximadamente 500 mil pessoas, nenhuma delas com história anterior da doença e com idade entre 50 a 71 anos, analisaram a ingestão do tecido muscular e o risco de contrair tumores.

A partir de um questionário onde descreviam-se os hábitos alimentares dos últimos anos e de informações pessoais como idade, história familiar e fumo, as análises foram feitas. Foi comparada a ingestão de grandes quantidades de carne (boi, porco e cordeiro) e de carne processada (bacon, salsicha e presunto) e o aparecimento de cânceres.

As pessoas que ingeriram grandes quantidades tiveram uma maior incidência de câncer colo-retal, do fígado, pulmões e de esôfago, quando comparadas com as que comiam menos carne. O aparecimento de outros tipos de tumores, não apresentou relação com tal hábito alimentar.

Este estudo vem fornecer uma forte evidência que o costume de ingerir grandes quantidades deste tipo de proteína animal está ligado a uma maior probabilidade de aparecimento de câncer no fígado ou esôfago. Também indica que um em cada dez cânceres de pulmão e, um em cada dez da região colo-retal, poderia ser evitado com a mudança de dieta.

Como todo trabalho científico recente, este também apresenta problemas. Ficou indefinida a importância do cigarro entre os casos de câncer do pulmão. Além disso, devido a confusões nas definições não ficou muito claro qual o real papel desempenhado por cada alimento, visto que presunto e bacon foram incluídos em ambas as categorias, o que terminou não permitindo diferenciar qual dos dois têm relação com os cânceres.

Também não ficou evidente se as conclusões valem para todas as pessoas, tais como para nós latinos, ou se apenas para os anglo-saxões pesquisados. Por outro lado, não podemos desconsiderar um alimento com a importância nutricional da carne, a quantidade e a qualidade dos aminoácidos constituintes dos músculos, os ácidos graxos essenciais, as vitaminas do complexo B e o alto teor de ferro encontrados. Tais considerações indicam que novas pesquisas são necessárias com o objetivo de negar ou confirmar as conclusões aqui expostas.

Para terminar, espero que a leitura deste artigo não tire o seu apetite, quando você resolver ir a um rodízio de carnes, para entregar-se aos seus prazeres…

Autor: Luiz Carlos Diniz
OBID Fonte: Folha de Pernambuco-PE