Família que é unida tem mais chance de ser saudável

Crescer em um ambiente familiar em que há diálogo e afeto pode contribuir muito para a saúde. Um lar harmonioso pode diminuir as chances de surgimento de doenças e também ajudar na recuperação, quando elas aparecem. Esse é o diagnóstico que vários estudos têm apontado em todo o mundo.

Uma das constatações da cientista Rena Repetti, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, por exemplo, é de que as crianças que crescem em um local onde há segurança emocional têm maior senso de integração social e são mais capazes de manter sua saúde, independentemente do apoio de outras pessoas.

Por outro lado, a pesquisadora da Universidade da Califórnia, que reuniu mais de 500 estudos envolvendo família e saúde, afirma que as pessoas criadas em lares cheios de conflitos ficam mais vulneráveis às doenças.

Genética

Elas também podem antecipar problemas de saúde para os quais tenham predisposição genética e têm mais chances de vir a se tornar dependentes de álcool e drogas.
Já um estudo feito pela Universidade de Hong Kong, aponta outro efeito positivo do apoio familiar: o tratamento de doenças. A pesquisa avaliou a evolução de 47 crianças que participaram de um programa de asma.

As que tiveram os melhores resultados na redução dos sintomas foram as que contaram com um maior envolvimento dos pais nas sessões de terapia familiar oferecidas.

Exercício

O aposentado Geraldo de Silva Cerqueira, 72, sempre foi um exemplo para a família. Desde novo, ele pratica atividades físicas. O gosto pelos exercícios acabou virando profissão e contagiou a família.

“Fui passando para todos a importância de se exercitar, e eles aderiram. Todos também têm uma alimentação boa”, conta. O filho, Rodrigo, trabalha com Geraldo em sua academia, e a neta faz natação no local. “Espero que eles cheguem à minha idade com saúde”, diz.

Segredo de saúde: “Aqui, um cuida do outro”

Na casa de Rosinha Dellaparte Tonini, 52 anos, a comida sempre foi preparada com pouco sal e gordura. O cuidado se justifica, já que a dona de casa é hipertensa; e o marido, o representante comercial José Helvídio Tonini, 58 anos, é diabético. Todos os três filhos tiveram que entrar na dança e se acostumar com essa alimentação desde pequenos. “Todo mundo come a mesma comida.

Precisamos ter cuidado e, mesmo que às vezes reclamem um pouco, meus filhos acabaram se acostumando. Aqui, um cuida do outro”, conta a dona de casa. Apenas no fim de semana é que o cardápio da família se torna menos restritivo e até doces são permitidos. Além da alimentação saudável, os Tonini têm outro hábito positivo: praticam atividades físicas regularmente. Com isso, Rosinha e José mantém sua saúde em dia.

Hábitos passados de pai para filho

Ter noções sobre a importância de uma alimentação equilibrada e da prática de atividade física também pode – e deve – ser uma boa heranças de família.

“Os adultos geralmente são muito condescendentes com as crianças. Acham que, por elas serem novinhas, precisam comer muito e que não há problema quando elas se entopem de batata frita, por exemplo”, diz o endocrinologista Laerte Damasceno.

Mas ele adverte: as noções de alimentação saudável devem ser passadas desde cedo. “Se esse hábito não for criado desde criança, vai ser difícil mudar na vida adulta”, alerta.

Aqueles que puderem almoçar em casa com os filhos devem aproveitar a ocasião para orientá-los e para dar o exemplo. “As crianças reproduzem o comportamento da família. Se os pais são obesos ou diabéticos e não se cuidam, provavelmente elas terão problemas no futuro”. O mesmo vale para os exercícios.

A coordenadora do curso de Psicologia da UVV, Adriana Pessoa, diz que a prevenção mais eficaz é a que envolve toda a família, seja no caso de doenças ou das dependências. Paz também é importante: “Brigas e discussões interferem no desenvolvimento e podem criar dificuldades de socialização, tornar as pessoas mais agressivas e repercutir em outras áreas da vida.”

Lar, doce lar

Família unida ajuda no controle das emoções

Equilíbrio
Um ambiente familiar, onde os conflitos são resolvidos com uma boa conversa, estimula a habilidade de lidar com as emoções, leva ao autoconhecimento e favorece o desenvolvimento das habilidades pessoais

Bom comportamento
Quem cresce em uma família equilibrada controla melhor seus impulsos, expõe-se menos a riscos e tem menos chances de manifestar dependência de drogas

Doenças sob controle
A participação da família ajuda no controle de doenças, como a asma e melhora a adesão aos tratamentos e o bem-estar do paciente, no caso de doenças

Boas relações
Jovens adultos que moram com os pais ou têm uma relação próxima com eles são mais maduros e aptos a se relacionar com os outros de forma equilibrada, indicou uma pesquisa da Universidade de Haifa, em Israel

Alterações hormonais mais tarde
Crescer em um ambiente equilibrado atrasa as alterações hormonais da puberdade, o que deixa a criança menos vulnerável a um início precoce da vida sexual

Os efeitos dos conflitos

1 > Mais riscos de adoecer
Quem faz parte de uma família marcada por brigas tem mais chances de ter infecções, doenças cardíacas, hipertensão, diabetes, obesidade, depressão e ansiedade

2 > Recuperação mais difícil
Um ambiente conflituoso pode fazer com que doenças se manifestem precocemente e avancem mais rápido. A recuperação também é mais difícil

3 > Mais vícios
Se há muitos problemas em casa, as pessoas tornam-se mais vulneráveis à dependência de álcool, drogas, cigarro e comportamentos sexuais de risco.

4 > Agressividade
Crescer em uma família que é marcada por tumultos pode levar as pessoas a terem responderem de maneira mais agressiva

5 > Morte precoce
A ciência aponta que as chances de morrer precocemente são maiores se a pessoa vive em um ambiente familiar conflituoso

Autor: Thaís Brêda
OBID Fonte: A Gazeta – ES