03 boas razões para você parar de fumar

Já são conhecidos os malefícios do cigarro para à saúde. No entanto, poucos já devem ter parado para pensar nos impactos econômicos do tabagismo. Embora as cifras bilionárias movimentadas pela indústria do cigarro já não sejam novidade, outros números chamam a atenção: os custos que as doenças relacionadas ao tabaco representam para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Uma pesquisa inédita feita pela Fiocruz analisou 32 doenças, entre diferentes tipos de cânceres e problemas dos aparelhos circulatório e respiratório. Em relação a essas doenças, sob a perspectiva do SUS, os custos totais atribuíveis ao tabagismo no Brasil, em um ano, ultrapassaram os R$ 330 milhões para pacientes com 35 anos ou mais.

Os resultados mostraram que, em 2005, 7,72% dos custos totais de hospitalizações e quimioterapia do SUS para indivíduos acima dos 35 anos foram atribuíveis ao tabagismo. E esse valor pode estar subestimado, pois só foram considerados os gastos com hospitalização e quimioterapia, embora o tratamento para esses pacientes, em geral, exija diversos outros procedimentos de alta complexidade, como cirurgias e exames caros. Além disso, o universo de doenças relacionadas ao tabaco é maior do que as 32 analisadas na pesquisa.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o fumo pode acarretar também enfermidades ósseas, dermatológicas, reprodutivas e dentárias, além dos danos provocados aos fumantes passivos. Os custos para o SUS de mais de R$ 330 milhões, contudo, não representam nem a metade do lucro operacional, em 2005, (período considerado na pesquisa) de apenas uma empresa que opera no mercado nacional de cigarros.

Tabagismo x fertilidade
Em relação à saúde reprodutiva, o tabagismo é um entrave real para o casal que deseja engravidar”, afirma o especialista em Reprodução Humana, Joji Ueno, diretor da Clínica Gera. O tabagismo feminino reduz globalmente a fertilidade, causando um atraso da primeira gestação.

O atraso na concepção reflete-se numa gama de possíveis efeitos adversos na reprodução, como interferência na gametogênese ou na fertilização, dificuldade de implantação do óvulo concebido ou perda sub-clínica após implantação.

“Estudos e pesquisas dos últimos anos apontam que o tabagismo materno afeta mais a fertilidade do casal do que o tabagismo paterno, o que significa que o sistema reprodutivo feminino é mais vulnerável ao tabagismo que o sistema masculino”, diz Joji Ueno. “A mulher fumante tem um risco maior de infertilidade, câncer de colo de útero, menopausa precoce (em média 2 anos antes) e dismenorréia (sangramento irregular)”, explica o diretor da Clínica Gera.

Outras graves complicações na saúde feminina também podem resultar do ato de fumar durante a gravidez. “Abortos espontâneos, nascimentos prematuros, bebês de baixo peso, mortes fetais e de recém-nascidos, complicações com a placenta e episódios de hemorragia ocorrem mais freqüentemente quando a mulher grávida fuma”, diz o médico.

A fertilidade masculina é prejudicada pelo tabagismo, na medida em que ocorre um decréscimo nas taxas de gravidez e uma alteração nos parâmetros seminais de pacientes tabagistas. O tabagismo masculino está associado à redução na qualidade do sêmen, incluindo concentração de espermatozóides, motilidade, morfologia e efeito potencial na função espermática, além das alterações nos níveis hormonais.

O tabagismo também pode causar uma diminuição da fertilidade por alterar os níveis hormonais séricos de testosterona e de estradiol, e por provocar a fragmentação do DNA dos espermatozóides. “Costumamos recomendar àqueles indivíduos que apresentam sêmen de qualidade marginal e história de infertilidade, que deixem de fumar para que haja uma melhora da qualidade do sêmen com a interrupção do tabagismo”, diz Joji Ueno.

Tabagismo x problemas de visão
“Em comparação com quem não fuma, os fumantes apresentam um risco duas vezes maior de catarata e de duas a três vezes maior de desenvolver a degeneração macular relacionada à idade. Por isto, defendemos a idéia de que os maços de cigarro deviam estampar também estas advertências”, afirma o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares, IMO.

Segundo o médico, os efeitos maléficos do tabagismo também estão associados à queda das pálpebras, que provoca uma diminuição do campo visual e ao aparecimento da oftalmopatia de Graves, doença que apresenta como sintomas retração palpebral, lagoftalmo, edema palpebral, lacrimejamento, fotofobia, sensação de corpo estranho, proptose axial e, por vezes, disfunção da motilidade ocular.

Doença que geralmente se desenvolve de maneira lenta e progressiva, a catarata pode ser causada por múltiplos fatores: idade, traumas e doenças oculares, diabetes e uso de cortisona. Existem também as causas congênitas, que são as mais raras. “Há uma ligação direta entre o cigarro e a catarata.

Diversos estudos científicos apontam que quanto mais alguém fuma, maior a chance desta pessoa desenvolver catarata”, afirma Virgilio Centurion, que é membro da ALACCSA, Associação Latino-Americana de Cirurgiões de Córnea, Catarata e Cirurgias Refrativas.

A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) se constitui, hoje, na principal causa de cegueira legal no mundo ocidental, em faixas etárias superiores a 50 anos. Na medida em que aumenta a expectativa de vida das pessoas, aumenta também a incidência da DMRI no contexto da população geral.

Diversos fatores podem ser associados ou creditados como favorecedores ao aparecimento da degeneração macular. Assim, pessoas de pele clara e com olhos azuis ou verdes, exposição excessiva à luz solar, tabagismo, dieta rica em gorduras são fatores comprovadamente relacionados à maior incidência de degeneração macular relacionada à idade.

“A DMRI consiste, de um modo geral, no envelhecimento do fundus ocular, onde a retina perde gradualmente a capacidade de metabolizar e eliminar suas excretas, deixando que elas se acumulem sob a retina na forma de corpúsculos amarelados, chamados drusas”, explica o oftalmologista.

Tabagismo x aparência
Num mundo voltado para a beleza como o nosso, a primeira vítima do tabagismo é a aparência do fumante. A grande vilã da história é a nicotina – um líquido tóxico existente nas folhas do tabaco e que já era utilizado em 1690, na França, como inseticida.

“Além de causar a dependência, a substância tem efeito vasoconstritor na microcirculação sangüínea. Ou seja, reduz o diâmetro dos pequenos vasos, dificultando o aporte de oxigênio e de nutrientes que as células recebem por meio do sangue. Como conseqüência, a pele perde o viço e começa a envelhecer precocemente”, afirma o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada.

A vasoconstrição causada pela nicotina compromete o processo de cicatrização após as cirurgias. Durante uma cirurgia que envolve o descolamento do tecido cutâneo, há uma natural diminuição da vascularização. Ou seja, a associação desses dois fatores: cigarro + cirurgia potencializa os efeitos negativos sobre a pele. Por essa razão, cirurgiões plásticos americanos estão deixando de operar pacientes que fumem mais de um maço de cigarros por dia.

Além do risco de necrose e gangrena, há possibilidade de abertura da sutura e de a pele voltar a enrugar em razão da menor sustentação dos tecidos. Segundo Ruben Penteado, “devido ao seu efeito vasoconstritor, o cigarro reduz a oxigenação do fluxo sangüíneo e retarda o processo de recuperação no pós-operatório. Além disto, compromete o sistema respiratório, deixando o paciente mais suscetível a infecções, problemas de cicatrização, necrose e intercorrências referentes à anestesia, trombose e embolias”, explica o médico.

Quando cigarro e sol se juntam, o estrago é muito maior para a aparência. “Estima-se que a pele das pessoas que tomam sol e fumam envelhece dez vezes mais rápido do que a de quem não têm esses hábitos”, afirma Ruben Penteado. Isso ocorre porque a exposição solar, da mesma forma que a nicotina, destrói as fibras de colágeno e elastina, apressando o processo de envelhecimento.

Autor: Comunique-se
OBID Fonte: Comunique-se