CBF ameaça punir os clubes

A venda e consumo de bebidas alcoólicas nos estádios tornou-se passível de punição nesta semana que antecede o início da Série A. O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, divulgou resolução em que estabelece que pessoas físicas e jurídicas que não obedecerem à norma “se sujeitarão às penalidades previstas no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD)”. A medida começa a vigorar no próximo sábado. A proibição engloba também as competições estaduais.

A análise é do promotor do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) Aguinaldo Fenelon. “É uma questão de hierarquia. A Federação Pernambucana (FPF) está subordinada à CBF”, explica. No texto da resolução, a proibição fica aplicada aos “estádios que sediem partidas de futebol integrantes de competições coordenadas tecnicamente pela CBF, cujas partidas são organizadas pelas Federações e pelas entidades de prática desportiva detentoras do mando de jogo (clubes)”. “Nos reunimos com integrantes da Federação na semana passada e elesafirmaram que iriam adotar a proibição também no estado”, completa Fenelon.

Entre as sanções previstas no CBJD, o promotor atesta a aplicabilidade dos artigos 191 e 197 aos clubes que desobedecerem a determinação. A última prevê pena de multa de R$ 1 mil a R$ 10 mil, além de suspensão, para quem “deixar de cumprir ato ou decisão da entidade de administração do desporto a que estiver filiado ou vinculado, dificultar o seu cumprimento ou deixar de colaborar com as autoridades desportivas na apuração de irregularidades ou infrações disciplinares ocorridas em sua praça de desporto, sede ou dependência”.

O artigo 191 possui texto semelhante. Prevê suspensão de 30 a 180 dias com fixação de prazo para cumprimento da obrigação para quem “deixar de cumprir deliberação, resolução, determinação ou requisição do Conselho Nacional de Esporte (CNE), ou de entidade de administração do desporto”. Segundo Fenelon, caberá ao MPPE fiscalizar o cumprimento da decisão. “Em caso de desrespeito, iremos comunicar à CBF para que a entidade aplique a punição que julgar necessária”, pontua.

Tropical – O presidente do Sport, Milton Bivar, contrário à medida, pretende conversar com lideranças de outras agremiações e tentar demover a CBF. “Vamos ver se encontramos amparo em outros clubes para fazer a CBF mudar de idéia. Concordo com a proibição de bebidas quentes, mas a cerveja não. É uma questão de cultura, o Brasil é um país tropical. Achei a medida meio ditatorial”, destacou.

Autor: Editoria Esportes
OBID Fonte: Diário de Pernambuco – PE