É melhor prevenir do que tratar

Quem acompanha assédio moral defende que prevenir o problema é a solução mais inteligente. Ela passa pela conscientização de empresas, gestores e empregados. É que as conseqüências são danosas a todos os três envolvidos. “Mais de 90% das vítimas sofrem de depressão”, afirma o médico do trabalho Walter Nascimento.

Segundo ele, o problema induz ao maior consumo de álcool, uso de psicotrópicos e drogas, além de aumentar a vulnerabilidade a acidentes, por causa da perda da concentração.

Na última pesquisa nacional com os bancários, realizada em 2006, mais de 60% dos assediados disseram se sentir nervosos, tensos ou preocupados. Quase metade dormia mal, 37,37% tinham dores de cabeça constantes, proporção um pouco maior falou de tristeza, 36% sentiam-se cansados ou sem satisfação para executar tarefas.

Má digestão, falta de apetite, dificuldade para raciocinar e ausência de interesse pela vida completaram os relatos dos perseguidos. Os chefes chegam ansiosos e hipertensos ao médico.

“Muitos vêm ao consultório reclamando, querendo voltar para o trabalho”, conta Walter Nascimento. Ele defende seleção mais criteriosa de chefes. “Deve saber respeitar o próximo, ter consciência de que não é onipontente e saber que só o trabalho em equipe traz resultados.” Todo trabalhador também precisa de lazer e tempo para o convívio familiar, diz. Isso ajuda nos relacionamentos na empresa.

A psicóloga Lívia Sant’ana, gerente de projetos da Fundação Dom Cabral (MG), que falará para executivos sobre perfil de líderes, na próxima semana em São Paulo no Saúde Business, explica que todo chefe tem que estar preparado para gerir pessoas.

“Um gestor de pessoas saudável é o que considera o outro adulto, responsável e qualificado para a função. Se a pessoa não atingir o esperado e não estiver bem adaptada no ambiente, cabe ao gestor capacitá-la, orientá-la e conduzi-la para isso.”

Buscar direitos é orientação dos sindicatos, mas o secretário de Saúde do Trabalhador dos bancários, João Rufino, esclarece que a campanha liderada pelo sindicato pernambucano estimula a prevenção.

“É dever das instituições e dos gerentes zelar pelo ambiente saudável”, lembra. Pernambuco é o primeiro Estado com lei regulamentada (a 13.314/07) que coíbe e pune assédio moral no serviço público estadual. Os trabalhadores da iniciativa privada têm processado assediadores, requerendo indenização por danos morais.

Autor: Editoria Cidades
OBID Fonte: Jornal do Commercio-PE