Perda de controle é o principal problema dos dependentes

Estudos com pacientes que sofrem de alcoolismo comprovam que a perda de controle é o principal parâmetro para identificar se uma pessoa é dependente.

– Existem vários parâmetros, mas o central é a perda de controle. Quando o indivíduo não consegue refrear o impulso de beber. Há pessoas que podem beber com freqüência e em grande quantidade e não se tornarem alcoólatras porque conseguem conter o impulso – explica o psiquiatra Dartiu Xariver da Silveira, coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

De acordo com o especialista, outro indicativo é o prejuízo decorrente do consumo de álcool.

– Podem ser prejuízos físicos, com problemas no organismo, ou sociais, quando o indivíduo não consegue trabalhar, estudar e desenvolver suas atividades porque está sob efeito do álcool ou de ressaca.

Um terceiro parâmetro ocorre quando a bebida em primeiro plano.

– As atividades de lazer passam a ser secundárias e o álcool tem prioridade. Ele deixa de valorizar a família, os relacionamentos afetivos.

Segundo Silveira, o alcoolismo atinge hoje cerca de 10% da população mundial e é uma das cinco doenças mais incapacitantes. Entre as razões que levam à doença, está a predisposição genética e os fatores sócio-emocionais.

– É difícil falar em como evitar a dependência porque isso varia de pessoa para pessoa, mas uma dica importante é não usar álcool antes dos 18 anos, porque ele é muito mais agressivo no organismo dos jovens.

Em geral, o tratamento mais indicado inclui psicoterapia e medicação. Apenas cerca de 10% dos dependentes conseguem largar a dependência sozinhos. A média para recuperação é de um ano.

Autor: Adriana Chaves
OBID Fonte: Jornal do Brasil – RJ