OMS recomenda que cigarro seja mais caro no Brasil

Cigarros mais caros e ambientes totalmente livres da fumaça do tabaco. Essas foram as principais propostas apresentadas ontem por um grupo de 20 consultores da Organização Mundial de Saúde (OMS) para incrementar o combate ao tabagismo no Brasil.

O encontro antecipou o Dia Mundial do Combate ao Tabagismo, a ser comemorado no dia 31. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, também lançou as novas imagens que vão ser estampadas nos maços de cigarros. Elas são mais chocantes que as atuais.

O diretor do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Luís Antônio Santini, participou do encontro realizado ontem. Ele informou que os técnicos da OMS consideraram como pontos vulneráveis da campanha brasileira contra o fumo a aceitação de fumódromos e o baixo preço do cigarro.

Em média, o maço do cigarro no Brasil custa R$ 2,50. Segundo Santini, quanto mais desenvolvido o país, mais caro é o tabaco. Nos Estados Unidos, segundo ele, o preço do maço é cinco vezes mais alto que no Brasil. O baixo valor cobrado, segundo os técnicos, incentiva as pessoas, principalmente pobres e jovens que não têm renda, a fumarem mais.

Temporão reconheceu a necessidade de adotar as duas medidas propostas. Ele reconheceu que os preços do cigarro brasileiro precisam aumentar. Para ele, no entanto, esse tema já avançou, principalmente entre integrantes da área econômica do governo. “Antes, esse assunto era quase um tabu”, afirmou. “Hoje, esse clima já mudou.”

Quanto à questão dos fumódromos, segundo Santini, para a OMS o correto seria acabar com esses espaços em lugares públicos e obrigar os fumantes a buscarem locais abertos. No Rio de Janeiro os fumódromos foram proibidos e, em Belo Horizonte, um projeto de lei neste sentido, do vereador Tarcísio Caixeta, tramita na Câmara Municipal.

O Inca acredita que até o final do ano os tais fumódromos deixarão de existir em todo o Brasil. Temporão afirmou que o projeto de lei proibindo fumódromos – que está há meses na Casa Civil – ainda não foi apresentado ao Congresso por questão de estratégia. Segundo ele, o governo espera o momento oportuno para tomar tal iniciativa.

Doença pediátrica. O Ministério apresentou ainda a campanha desenvolvida pela OMS para o Dia Mundial sem Tabaco. O tema é “Juventude sem Tabaco”. Para o órgão internacional, o tabagismo passou a ser considerado como doença pediátrica, uma vez que a idade média para a iniciação do consumo ocorre, em média, aos 15 anos. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 100 mil jovens começam a fumar no Brasil, por dia.

Esta é a primeira vez que a OMS faz uma análise de um programa de controle do tabagismo. Há duas semanas, consultores visitaram alguns locais-chave, conversaram com especialistas e funcionários da administração. Além de constatar essas duas falhas, a equipe também deve orientar que o país reveja a estratégia do programa de prevenção. Para especialistas, ele ainda está muito centrado no tratamento com remédios, algo caro. (Com Agências)

Estratégia

Novas imagens em maço causam aversão

Brasília. Um feto no cinzeiro, um pé com gangrena e um cadáver estão entre as dez imagens que as embalagens de cigarro deverão estampar a partir do próximo ano (veja fotos ao lado). A mudança faz parte de uma estratégia do Ministério da Saúde para reduzir o apelo dos maços e, com isso, desestimular a iniciação de jovens ao tabagismo.

A nova safra de fotos – a terceira de uso obrigatório pelos fabricantes de cigarro – foi feita com base em uma pesquisa desenvolvida entre 2006 e 2008 pelo Instituto do Câncer (Inca) “O objetivo é provocar aversão”, resumiu o presidente do Inca, Luiz Santini Rodrigues da Silva.

A pesquisa procurou medir a reação de 212 jovens diante das fotos e escolheu as mais impactantes. A forma das advertências também deverá mudar. Além da foto e de uma frase de alerta, as embalagens deverão estampar palavras-chave, como horror, perigo e enfarte.

O governo passou a obrigar a indústria farmacêutica a incluir frases de advertência em 1988. O objetivo é neutralizar as estratégias da indústria do tabaco. (Agência Estado)

Danos

Fumante se arrepende do primeiro trago

Para o publicitário Cláudio Araújo Alves, 55, se tornar um fumante foi uma das piores coisas de sua vida. Ele disse que tudo começou quando tinha 22 anos, depois de começar a tomar cervejas com amigos, em botecos. Desde então nunca mais foi o mesmo e o pior momento se deu quando soube que estava com câncer de laringe.

Fez tratamentos, conseguiu controlar a doença e ficou livre da cerveja, mas não conseguiu vencer a guerra contra o cigarro.

“Já fiz vários tipos de tratamentos e atualmente faço acumputura e descobri a homeopatia. Mas não parei de fumar”, disse. Cláudio, que fuma cerca de um maço e meio de cigarros por dia, gasta um total de R$ 120 por mês. O valor daria para comprar 333 pãezinhos.

A arquiteta F.P.M., 32, que prefere não ser identificada, também sonha em se ver livre do cigarro. “Já gastei muito com cigarros e tratamentos”, disse. (RN)

Autor: Roberto Nogueira
OBID Fonte: O Tempo – MG