Acidentes nas estradas brasileiras custam R$ 22 bilhões por ano

Levantamento do Ipea aponta que cerca de R$ 9,8 bilhões são pagos pelo Ministério da Saúde. Além do atendimento às vítimas, prejuizos materiais e perda de produtividade são responsáveis pelas despesas

Os acidentes nas rodovias brasileiras custam aproximadamente R$ 22 bilhões anuais ao país, afirmou nesta terça-feira (27) o diretor de Estudos Urbanos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Piancastelli Siqueira. Segundo ele, neste total estão somados os gastos médicos, hospitalares, de perda de renda, remoção e recuperação de veículos, administrativos, judiciais e previdenciários.

As despesas dos acidentes, explica o diretor do Ipea, são arcadas tanto pelas vítimas quanto pelo setor público. Dos R$ 22 bilhões anuais, cerca de R$ 9,8 bilhões são custos médicos e hospitalares pagos pelo Ministério da Saúde, já que todas as vítimas de acidentes têm seu primeiro atendimento realizado pelo serviço de saúde pública.

“Isso se tornou um problema não só do ponto de vista humano e moral, mas um problema de finanças públicas dos mais sérios”, disse Piancastelli.

Os estados que mais registram acidentes são Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Eles também são os mais críticos do ponto de vista de despesas geradas pelos acidentes. De acordo com Piancastelli, vários fatores contribuem para a maior incidência de acidentes nestes estados.

Em São Paulo a taxa de acidentes pode ser atribuída à maior concentração de tráfego e à existência da maior frota do país.As boas condições de assistência e resgate, no entanto, fazem com que o estado tenha taxas de mortalidade inferiores a outras regiões.

Em Minas, a grande extensão da malha viária e o estado de conservação ruim de muitas estradas são os responsáveis pelo alto número de acidentes.

Segurança

Para Piancastelli, o desafio de encontrar respostas para reduzir esses números “está na formulação de políticas públicas, que melhorem a qualidade da informação sobre formas de prevenção, formas para reduzir os atropelamentos e a gravidade dos acidentes e o aumento do nível educacional associado à redução da ingestão de bebidas alcoólicas nas estradas”.

Ele argumenta que para reduzir a gravidade dos acidentes é preciso melhorar a segurança dos veículos. E isso pode ser obtido com consciência e educação no trânsito, que se refletiriam em medidas simples e já conhecidas por absolutamente todos os motoristas: manutenção dos veículos, não dirigir alcoolizado, redução de velocidade, prudência nas ultrapassagens.

“Melhorar a segurança dos veículos é uma medida que pode ser implementada, induzida e estimulada a curto prazo, porque sabemos que, em nossa frota de veículos, segurança é item opcional”, disse Piancastelli.
Autor: Revista Época
OBID Fonte: Revista Época