Como combater um vilão legal

Nicotiana tabacum é um nome estranho, não acha? Mas cerca de 30 milhões de brasileiros fazem uso diário dela. Conhecida como nicotina, ela é a principal componente do cigarro. A droga tem princípios cancerígenos, acelera os batimentos cardíacos, atrapalha a digestão e traz vários males à saúde. Além disso, vicia tão fortemente quanto a cocaína e o álcool. Por isso é tão difícil parar por conta própria.

Para quem já tentou ou quer abandonar o tabaco, uma boa notícia. É possível encontrar apoio no Hospital Universitário de Brasília (HUB), onde funciona desde 2002 o Ambulatório de Cessação de Tabagismo. Coordenada pelo professor Carlos Alberto Viegas, chefe do Serviço de Pneumologia do HUB, a iniciativa oferece aos fumantes que querem largar o cigarro informações com terapias de grupo e remédios. Mil pessoas já foram atendias. “E há duas turmas abertas”, comenta o médico.

Para se inscrever no projeto, deve-se entrar em uma fila de espera. Esse primeiro cadastro ocorre por telefone. Quando chega sua vez, a pessoa participa de um encontro semanal, com duração de um mês em grupos de 15 a 20 pessoas. A equipe é composta por um assistente social e um médico – ambos com curso de capacitação em tabagismo.

Nos encontros, há depoimentos dos próprios participantes e informações sobre o projeto e sobre os males do tabagismo. Os assuntos se dividem em:

ENCONTROS TEMA
1ª SEMANA Entender por que se fuma e como isso afeta a saúde
2ª SEMANA Os primeiros dias sem fumar
3ª SEMANA Como vencer os obstáculos para permanecer sem fumar
4ª SEMANA Benefícios obtidos após parar de fumar

USO DE REMÉDIOS – Os medicamentos que fazem parte do tratamento são um antidepressivo e a goma com nicotina, usada como substituto dessa substância no cigarro. Os dois produtos são distribuídos gratuitamente pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal – à qual o programa do HUB está ligado. Mas, caso os remédios faltem no estoque, o paciente é aconselhado a comprá-los para dar continuação ao processo de abandono do tabaco. O tempo de utilização varia muito de paciente, mas a média é de dois meses. A partir desse período, a tendência é retirar a droga.

Segundo o médico de pneumologia e coordenador do projeto de controle do tabagismo do Distrito Federal, Celso Antonio Rodrigues da Silva, a utilização do medicamento é fundamental. “Sem o medicamento, a eficácia do programa em fazer as pessoas largarem o cigarro cai de 80% dos participantes para cerca de 50%”, diz ele. A pessoa que suprime de vez o tabaco tem grande chance de sofrer da síndrome de abstinência, uma reação pela falta da nicotina

que causa agitação, tontura, insônia, dor de cabeça, sem falar no desejo absurdo de fumar. Daí a necessidade de usar a goma, em que a concentração de nicotina é 75% menos que no cigarro. “Mas isso já é suficiente para tranqüilizar o paciente e fazê-lo superar os primeiros dias sem fumar.”

A legislação brasileira proíbe a venda de cigarros a menores de 18 anos, mas o consumo entre menores é uma realidade, de acordo com pesquisas da Faculdade de Medicina da UnB. No Distrito Federal, por exemplo, a dependência de nicotina atinge cerca de 10% dos adolescentes. Apesar de não ter atendido nenhuma pessoa com menos de 18 anos, Viegas afirma que o atendimento se dará normalmente caso os jovens procurem o ambulatório.

SERVIÇO
Ambulatório de Cessação de Tabagismo do Hospital Universitário de Brasília (HUB). O atendimento acontece de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h, no térreo da unidade 2 do HUB, no setor de Espirometria. É preciso se inscrever antes pelo telefone (61) 3448 5280.

CONTATO
Coordenador do Ambulatório de Cessação de Tabagismo, professor Carlos Alberto Viegas, chefe do Serviço de Pneumologia do HUB, pelo telefone (61) 3448 5280 (pela manhã) ou pelo e-mail pneumo@unb.br.

PREJUÍSOS DO TABAGISMO

O cigarro é composto por mais de quatro mil substâncias tóxicas, incluindo nicotina, monóxido de carbono, alcatrão, agrotóxicos, e cancerígenas, como arsênico, níquel, cádmio e chumbo. A nicotina causa dependência da mesma forma que a cocaína, a heroína e o álcool. A fumaça do tabaco é inalada para os pulmões e chega ao cérebro entre sete e 19 segundos, velocidade quase igual a de substâncias introduzidas por uma injeção intravenosa.

O tabagismo é diretamente responsável por:

• 30% das mortes por câncer;
• 90% das mortes por câncer de pulmão;
• 25% das mortes por doença coronariana;
• 85% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica.

Outras doenças que também estão relacionadas ao uso do cigarro são aneurisma arterial, trombose vascular, úlcera do aparelho digestivo, infecções respiratórias e impotência sexual no homem. A mulher grávida que fuma, além de correr o risco de abortar, tem mais chance de ter filho de baixo peso, menor tamanho e com defeitos congênitos.

Fonte: Instituto Nacional de Câncer, do Ministério da Saúde. Coordenação Nacional de Controle de Tabagismo e Prevenção Primária (Contap) “Falando Sobre Tabagismo”. Rio de Janeiro, 1996.
Autor: Secom/UNB
OBID Fonte: Secom/UNB