Juiz de Fora terá mais 21 unidades no combate ao tabagismo

Ainda neste ano, mais 21 unidades básicas de saúde de Juiz de Fora poderão montar grupos de combate ao tabagismo. A capacitação dos profissionais já foi concluída e, com isso, 74% das 40 unidades de saúde terão como oferecer suporte aos pacientes que quiserem abandonar o cigarro.

Atualmente, oito unidades oferecem o serviço, que no ano passado atendeu a 305 pessoas. Desse total, 65% conseguiram abandonar o vício, ao mesmo tempo em que 35% deixaram o tratamento, e terão que esperar vaga para retornar aos grupos.

Para quem fuma, abandonar o vício não é tarefa das mais fáceis. Pouco antes de completar 50 anos, o servidor público Luís Sérgio Schuchter decidiu que era hora de parar, depois de 24 anos de consumo de muitos maços de cigarro. Desde março freqüenta o grupo da UBS do Bairro Jardim Natal e, até agora, diminuiu o consumo diário de dois maços para 15 cigarros. O cinqüentenário foi completado em abril, mas ele se deu mais um prazo. «Não desisti. Estou usando o adesivo, fazendo caminhadas e voltei a jogar bola. Quero terminar o ano sem o cigarro», promete a si mesmo.

O trabalho nas unidades básicas segue o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, do Ministério da Saúde, responsável pela distribuição dos medicamentos que são utilizados no suporte ao tratamento. Entre os pacientes juiz-foranos que abandonaram o vício no ano passado, 80,46% só o fizeram devido à medicação. Assistente social e coordenadora do Serviço de Controle, Prevenção e Tratamento do Tabagismo (Secoptt) da Secretaria Municipal de Saúde, Débora Cristina Correa afirma que o foco principal dos grupos é a abordagem cognitivo-comportamental.

“Incentivamos a mudança de hábitos e o medicamento é apenas um apoio”, diz ela. A maioria dos pacientes vê o cigarro como um calmante, um amigo que não quer abandonar, ressalta Débora Correa. Daí a dificuldade em parar com o vício. Para largar o cigarro, os pacientes são incentivados a reduzir a ansiedade, fazer atividade física e outras atividades prazerosas. “Precisamos combater o mito de que o cigarro acalma e é gostoso. Ele faz mal à saúde”, diz Débora Correa.

As pessoas que procuram os grupos já chegam ao serviço com pressão alta, problemas cardíacos, e até mesmo vitimadas por acidente vascular cerebral. Ultimamente, diz Débora, muitos fumantes sentem-se isolados e querem parar de fumar por pressão da sociedade. “Já é comum a própria família pressionar o fumante, incomodada com o fumo passivo”, explica.

Por causa do Dia Mundial sem Tabaco, comemorado amanhã, o Secoptt realiza, hoje, várias atividades de combate ao cigarro. Nas salas de espera das clínicas especializadas da Secretaria de Saúde, no Pam-Marechal, os fumantes serão convidados a apagar seus cigarros em respeito aos não-fumantes. No serviço de saúde do adolescente, shopping Independência e nas escolas da rede municipal, os jovens – foco da campanha do Ministério da Saúde deste ano – também vão receber orientações sobre os malefícios do cigarro.
Autor: Jacqueline Lopes
OBID Fonte: Hoje em Dia – MG