Cigarro em excesso causa infertilidade nas mulheres

Apontado pela medicina como o grande vilão causador de doenças do coração e pulmão que podem levar à morte, o tabaco também pode prejudicar o grau de fertilidade das mulheres. Hoje, no Dia Mundial sem Tabaco, profissionais da saúde mobilizam-se para divulgar outros prejuízos da droga, como efeitos negativos na sexualidade feminina.

Segundo especialistas, o fumo provoca infertilidade mensal nas mulheres e impotência sexual nos homens, com prejuízo de auto-estima e provável depressão. Mesmo após fertilização normal, o cuidado deve permanecer durante a gravidez – preocupação freqüente de ginecologistas e obstetras.

Hérica Mendonça, vice-presidente do Comitê de Infertilidade da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), também explica que o fumo pode provocar a formação de um embrião anormal. Mas a possibilidade de esterelidade também não pode ser descartada se somada a outros fatores.

“Mulheres acima de 35 anos e com tendência a ovários policísticos podem até ficar estéreis caso o uso do tabaco seja contínuo e significante”, disse.

Ela informa que dez cigarros por dia são suficientes para causar problemas de infertilidade nas mulheres. Mas o uso constante de tabaco durante um período prolongado também é determinante, completou.

Filhos. Os malefícios do tabaco não atingem somente as mulheres, mas também os bebês. Os filhos de mães fumantes têm o crescimento uterino prejudicado pelo fato de sobrar menos oxigênio e nutrientes para o bebê. Para o obstetra Frederico Péret, diretor científico da Sogimig, as substâncias do cigarro reduzem o peso da placenta. “O uso constante do fumo pela grávida pode acarretar graves problemas no feto, como tamanho e peso abaixo do normal.” Crianças ficam três vezes mais propensas a fumar se a mãe tem esse hábito na gravidez.

Homens

Tabaco afeta “saúde” dos espermatozóides

Presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (seção-MG), Eugênio Costa chama a atenção dos homens fumantes, antes que seja tarde. “A disfunção erétil virá com o tempo de fumo e a capacidade de ereção pode ser completamente perdida.”

Segundo ele, as substâncias nocivas do cigarro provocam lesões arteriais, que prejudicam a circulação sanguínea do pênis, e causam impotência.

Mas um problema ainda maior deve ser relatado. “Derivados do fumo acarretam alterações celulares na região reprodutora e podem causar câncer de bexiga”, faz o alerta. “Mais grave do que impotência, o câncer é questão de vida ou morte.”

O fumo também não coopera para a saúde fértil do homem. “Os espermatozóides perdem a qualidade com o excesso de tabaco”, afirma a ginecologista.

Para o urologista, a comprovada relação entre o fumo e a infertilidade também atinge o sexo masculino, mas não deve ser confundida com disfunção erétil. “Elas são coisas distintas”, afirma.

Segundo o obstetra Frederico Péret, diretor científico da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), o uso abusivo de tabaco não pode tornar um homem estéril, mas atrapalha significativamente a saúde de seu sêmen.

Fumantes paulistas associam fumo à comida

Levantamento realizado na capital paulista apontou que os fumantes associam cigarro a comida. Para 95% dos cerca de 500 dependentes de tabaco atendidos no ano passado no Centro de Referência em Álcool Tabaco e Outras Drogas (Cratod), serviço da Secretaria Estadual da Saúde, o hábito de fumar está diretamente associado ao fim de cada refeição.

As refeições ficaram na frente do tradicional cafezinho. Segundo o levantamento, o café foi relacionado ao fumo por 71% dos entrevistados, e a ansiedade, por 73%. Para 68% dos dependentes, o cigarro está vinculado à tristeza, e à alegria por 55%.

Falar ao telefone foi apontado por 42% dos pacientes ouvidos, e 34% vincularam o ato de fumar ao maior consumo de bebidas alcoólicas.

Efeito

Danos são maiores com tempo

A diferença da ação do tabaco entre os sexos é que o homem produz novas linhagens de espermatozóides a cada três meses, enquanto a mulher nasce com todos os óvulos já prontos para toda a vida. Por isso o efeito nocivo crônico é muito mais acentuado nas mulheres, de acordo com especialistas.

“A nicotina – substância presente no cigarro – altera a qualidade dos óvulos”, afirma Hérica Mendonça, vice-presidente do Comitê de Infertilidade da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig). Hérica Mendonça explica que, quanto pior a qualidade dos óvulos, menores serão as chances de ocorrer a fertilização.

Prejuízo. Quanto maior o tempo de exposição ao cigarro, piores são os danos. Estudos com a fertilização in vitro, por exemplo, mostram que as chances de sucesso da gravidez por tentativa são maiores entre as pacientes não fumantes do que nas que têm o hábito de fumar.(RS)
Autor: Rodrigo Scapolatempore
OBID Fonte: O Tempo – MG