Cigarro perde espaço e adeptos em Curitiba

Consumo de tabaco caiu de 22,5% em 2003, para 18% em 2007. Mas jovens não diminuíram quantidade da droga considerada lícita.

O advogado Clélio Toffoli fuma 30 cigarros ou uma carteira e meia por dia e é a favor da delimitação de espaços para fumantes

José Jakobson aproveita o espaço especial criado no Shopping Crystal para soltar a fumaça

Alimentos orgânicos, pilates, bicicleta no lugar do automóvel, cuidados com a gordura trans, yôga e outras propostas saudáveis dão o tom da vida nesse início de milênio. Em um cenário com essas características, a figura do fumante parece totalmente deslocada. Não por acaso, foi no ano 2000 que a publicidade do cigarro passou a ser proibida no Brasil. Na esteira dessa mudança vieram as obrigações de estampar fotos assustadoras no verso dos maços, a proibição do fumo em ambientes coletivos e a criação de espaços destinados para quem quer fazer fumaça.

Em Curitiba não é diferente. Apesar do Paraná ser um dos líderes históricos no ranking do consumo de cigarro no País (tanto pela produção de fumo, quanto pelo poder aquisitivo da população), nos últimos anos, houve uma redução no número de fumantes. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, o número de tabagistas na capital paranaense caiu de 21,5% em 2003, para 18% em 2007.

Para o coordenador do Programa de Controle ao Tabagismo da Secretaria Municipal de Saúde, João Alberto Lopes Rodrigues, essa diminuição se deve a integração de várias ações do poder público que restringem cada vez mais o espaço destinado ao fumante. “Quanto mais você avança na restrição do consumo, mais os indivíduos repensam seu comportamento”, explica Rodrigues.

Entre os fumantes curitibanos, 22% são homens e 16% são mulheres. Apesar do deslocamento da imagem do cigarro na mídia, que deixou de ser visto como um hábito atraente, o percentual de jovens fumantes não acompanhou essa queda no consumo. Eles continuam tão numerosos quanto eram em 2003. Nessa faixa etária, as meninas estão fumando mais que os meninos.

Na opinião do estudante Phelipe Faria, 17 anos, a influência da televisão e do cinema contribui para que o número de jovens fumantes continue alto. Há cinco anos fumando, ele reconhece que a restrição do espaço destinado ao consumo de tabaco ajuda a diminuir o número de fumantes. “Tem gente que não vai sair (de um recinto) só para fumar”, avalia.

A delimitação do espaço para os tabagistas também é visto com bons olhos pelo advogado Clélio Toffoli Júnior, que consome 30 cigarros por dia, o equivalente a uma carteira e meia. Segundo ele, para um projeto ter sucesso nesse sentido, é preciso pensar no fumante e reservar um espaço para ele. “Tem, projetos xiitas que não deixam nem um espacinho pra fumar”, lamenta.

Para o lojista José Jakobson o espaço para fumantes é um sinal de respeito pelo não fumante, mas faz ressalvas sobre proibição total. “Em bares acho que não daria certo, bebida e cigarro caminham juntos”, avalia. Sua loja fica localizada no Shopping Crystal, onde recentemente foi instalado na praça de alimentação um cubículo de acrílico equipado com um exaustor de ar e cinzeiros para que os fumantes possam fazer fumaça à vontade sem incomodar quem está em volta. Para ele, esse é o caminho a ser seguido para contemplar os dois públicos.
Autor: André Amorim
OBID Fonte: Folha de Londrina – PR