Álcool, um problema cultural que deve ser contido

Dirigir sob efeito do álcool é um do grandes problemas. Amostragens feitas em cidades como São Paulo, Rio, Brasília e Goiânia mostram isto.

No Paraná, mais de 28% dos entrevistados admitiram que já pegaram carona com motorista alcoolizado.
Dirigir sob efeito de álcool é uma outra infração socialmente aceita, mesmo estando presente em mais de 50% dos acidentes fatais. É uma questão cultural.

As pessoas encaram como algo normal, muito embora o risco de acontecer um acidente triplique. Há como que um acordo tácito entre os mais jovens de que o ato de dirigir sob efeito de bebida alcoólica é algo comum, corriqueiro, não apresenta risco e que é, por incrível que pareça, uma prova de masculinidade e maturidade.

Uma aferição feita em um colégio de Curitiba, no Paraná, mostrou que, após uma palestra educativa de trânsito sobre o tema, apenas 14,89% dos jovens disseram que procurariam respeitar mais as leis de trânsito; 10,64% assumiram que não mudariam o seu comportamento.

Os especialistas são unânimes: precisamos do comprometimento dos pais em todos os esforços de educação para o trânsito. Sem isso, não mudaremos nossas estatísticas e continuaremos colocando as vidas de muitas pessoas em risco a cada dia ou final de semana.

Médicos que participam de congressos ortopédicos alertam sobre as altas taxas de mortes na faixa etária de 18 a 29 anos, que aumentaram significativamente nos últimos anos, inclusive pela maior facilidade em se adquiri veículos automotores.

No Sul do Brasil, 35% dos acidentes acontecem com jovens entre 18 e 29 anos, e um entre 100 acidentes resulta em morte. A maior parte destas ocorrências é provocada pela ingestão de álcool, muitas vezes, antes do jovem sair de casa, em um comportamento conhecido como “esquenta”. Os jovens que participam do “esquenta”(ingerir bebidas antes de sair para festas ou baladas) sofrem os acidentes mais graves. O tema é assunto abordado a partir de hoje, no 14º Congresso Brasileiro de Trauma Ortopédico.

Os acidentes de trânsito matam mais de um milhão de pessoas ao ano em todo o mundo, e cerca de 60% atingem justamente os jovens que exageram no consumo do álcool antes de chegar às festas e baladas.

Os jovens são as principais vítimas do “esquenta” ou de situações culturais similares (como beber para “tomar coragem”) porque são inexperientes no volante e, no retorno para casa, envolvem-se nos piores acidentes. Além disso, o jovem, por ser imprudente na maioria dos casos, dá pouca importância para os riscos que está correndo. Uma pesquisa da OMS (Organização Mundial de Saúde) constatou que, quando os jovens saem de carro para se divertir, 42% dirigem depois de consumir bebida alcoólica.

Dentre os que não bebem, 80% admitem pegar carona com pessoas que beberam. Assim, o objetivo das campanhas que têm jovens como público-alvo é conscientizar os mesmos para que não dirijam se beberem e que, caso isso aconteça, deixem o carro ou a moto em casa e voltem de táxi, ônibus ou carona, neste caso com alguém sóbrio. Pelas projeções da OMS, até o ano de 2020, os acidentes de trânsito serão a terceira causa de mortes, ficando atrás apenas das doenças coronarianas e depressão.

Os males do álcool vão além. Ele pode levar à dependência, ao alcoolismo, que hoje atinge mais de 5% dos adolescentes entre 12 e 17 anos, e aos custos sociais provocados pela relação entre álcool e trauma. O custo social que uma família tem com o jovem acidentado é muito grande e vai desde a questão financeira e o convívio familiar até um traumatismo craniano e fraturas, em que o cuidado deve ser intenso.

As pessoas atingem o estado de intoxicação alcoólica precocemente porque, em muitos casos, acabam bebendo de estômago vazio. Nestas situações, o efeito é ainda mais forte. Como se não bastasse o alto índice de mortalidade provocado, grande parte dos sobreviventes herda seqüelas para toda a vida, é o que mostram as estatíticas entre sobreviventes.

O que se deduz de tudo isto é que, em hipótese alguma, deve-se beber e dirigir. A perda de reflexos está cientificamente provado, é grande e pode ser a responsável por sérios acidentes com conseqüências fatais e seqüelas irreparáveis para toda vida.
Autor: Seção Notícias
OBID Fonte: Diário da Manhã – GO