Dê um basta no cigarro

Além de aumentar o risco de tumores e outras doenças, o tabagismo também pode gerar infertilidade. O fumo também não combina com a vaidade, visto que provoca envelhecimento precoce com muito mais intensidade que a exposição exagerada ao sol.

Há mais de 40 doenças associadas ao tabagismo. Para alguns especialistas, talvez a pior delas seja a dependência. De acordo com um estudo publicado pela revista New Scientist, 85% dos que param de fumar voltam a dar suas tragadas depois de um ano. No entanto, quem procura ajuda médica, toma remédio e faz terapia aumenta as chances de sucesso. “É importante que o fumante procure um cardiologista, pneumologista, clínico-geral e até mesmo um psicólogo, pois parar de fumar exige não só a prescrição de medicamentos, como também a atenção e disponibilidade do médico”, diz a pneumologista Rosa Abarca.

A estudante Talita Costa, 20 anos, começou a fumar aos 17. Após três anos, resolveu largar o vício. Ela não recorreu a nenhum tratamento, mas conta que começou a se sentir incomodada com o cheiro que o cigarro deixava em suas roupas, principalmente na hora em que ia dormir. “É curioso, porque, quando comecei a fumar, isso não era problema. Hoje, não suporto o cheiro. Outro fator decisivo para que eu abandonasse o vício foi o fato do meu namorado também detestar cigarro”, revela.

Os impactos econômicos do tabagismo são assustadores. Basta analisar os custos que as doenças relacionadas ao tabaco representam para o Sistema Único de Saúde (SUS). Uma pesquisa inédita feita pela Fiocruz analisou 32 doenças, entre diferentes tipos de cânceres e problemas dos aparelhos circulatório e respiratório. Em relação a essas doenças, sob a perspectiva do SUS, os custos totais atribuíveis ao tabagismo no Brasil, em um ano, ultrapassaram os R$ 330 milhões para pacientes com 35 anos ou mais. Os resultados mostraram que, em 2005, 7,72% dos custos totais de hospitalizações e quimioterapia do SUS para indivíduos acima dos 35 anos foram atribuíveis ao tabagismo. Os custos para o SUS, contudo, não representam nem a metade do lucro operacional, em 2005, de apenas uma empresa que opera no mercado nacional de cigarros.

Tome uma decisão

Artifícios como chicletes, adesivos corporais, acupuntura, entre outros, podem ajudar a abandonar o vício. No entanto, segundo a médica Abarca, em primeiro lugar é preciso que o fumante tome a decisão de querer parar de fumar; caso contrário, vai gastar dinheiro e não obter resultados. “Não adianta recorrer ao tratamento mais caro disponível no mercado se não houver motivação e vontade de largar o cigarro”, alerta Abarca.

A terapeuta Ozanira Martins, da Action Laser Terapia, compartilha da mesma opinião. “O primeiro passo no tratamento é a decisão do paciente. Ele não é um mero espectador no processo, e sim, um participante ativo”. Ela comenta que, para iniciar o tratamento, o fumante precisa levar em conta três itens: a dependência física à nicotina, o hábito (associação do cigarro ao cotidiano) e a perda do prazer de fumar. “Fazemos uma entrevista com o paciente, onde avaliamos o grau de dependência e o seu nível de comprometimento”, explica Ozanira. Após este procedimento, é iniciada a terapia a laser. Utiliza-se um laser frio de baixa potência, que, portanto, não causa nenhuma lesão nem dano celular. O estímulo é feito por intermédio de sua luz, que penetra cerca de 0,5 cm, estimulando os pontos de acupuntura na orelha, no tórax, no braço, na cabeça e na face.

A terapeuta reforça que a combinação específica dos pontos de acupuntura em várias partes do corpo visa sedar a vontade de fumar e controlar a ansiedade. O tratamento se complementa com o processo orientado de desintoxicação do organismo, estimulando a ingestão de muita água e a prática de exercícios físicos para a reeducação do corpo e o equilíbrio orgânico. “Há um acompanhamento de 90 dias realizado pela terapeuta que fez a aplicação do laser, durante os quais, se houver necessidade (persistência da vontade de fumar ou sintoma de abstinência), são feitas aplicações de reforço”, completa.

Aparência e fertilidade

Não é novidade que o cigarro também estraga os dentes, a pele, o cabelo e as unhas. Dermatologistas afirmam que o ato de fumar é ainda pior que a exposição ao sol, para aqueles que querem manter a pele sempre jovem e saudável. Isso porque a nicotina, um líquido tóxico existente nas folhas do tabaco e que já era utilizado em 1690, na França, como inseticida, tem efeito vasoconstritor na microcirculação sangüínea. Ou seja, reduz o diâmetro dos pequenos vasos, dificultando o aporte de oxigênio e de nutrientes que as células recebem por meio do sangue. “Como conseqüência, a pele perde o viço e começa a envelhecer precocemente”, observa o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada, em São Paulo.

Ele comenta ainda que os pacientes que precisam se submeter a algum tipo de cirurgia devem ficar longe do cigarro tanto antes quanto após o procedimento. “Para que haja uma boa cicatrização da pele, é preciso que a região lesionada receba oxigênio e nutrientes. O efeito vasoconstritor do cigarro atrapalha nesse processo”, esclarece Penteado.

O hábito de fumar é sabidamente prejudicial à gravidez. Bebês cujas mães fumaram durante a gestação possuem pulmões mais fracos e estão sujeitos a pegar mais viroses, gripes e pneumonia. Há também risco de abortos espontâneos, nascimentos prematuros, complicações com a placenta e episódios de hemorragia.

O tabagismo também compromete a fertilidade feminina e masculina, pois prejudica a formação de espermatozóides e óvulos. “A mulher fumante tem um risco maior de infertilidade, câncer de colo de útero, menopausa precoce (em média dois anos antes) e dismenorréia”, diz o ginecologista Jogi Ueno.
Autor: Mariana Spezia
OBID Fonte: Jornal da Comunidade – DF