Número de fumantes cai e proibição cresce

O cerco vai aumentar contra o fumo. Já está na Casa Civil da Presidência da República, para ser encaminhado ao Congresso Nacional, o projeto de lei que proíbe o fumódromo.

A norma do ambiente 100% livre do fumo conta com apoio popular, segundo pesquisas de opinião. Além dessa proibição, os ativistas querem aumento do preço e dos impostos sobre os produtos do tabaco. E lutam pela redução no plantio de fumo e fabricação de cigarro.

“O governo instituiu uma comissão, formada por representantes de vários ministérios, para definir como cumprir a Convenção-Quadro contra o Tabaco”, explica por telefone a sanitarista Vera Colombo, da Divisão de Controle do Tabagismo do Instituto Nacional de Câncer. O Inca, com sede no Rio de Janeiro, é coordenador, na saúde pública, das políticas contra o tabagismo.

Ao ratificarem a convenção – um tratado internacional que prevê a redução da oferta de fumo, proteção das pessoas da exposição à fumaça e oferta de tratamento para dependentes da nicotina –, os países assumem o compromisso da construção de uma agenda de Estado. Ou seja, têm que criar leis, ações e outras medidas para prevenir e reduzir o consumo de tabaco e a exposição ao cigarro.

A maré baixa para o fumante, que tem mais visibilidade no Rio de Janeiro, Paraíba e Recife, é uma regra nacional. Desde o fim dos anos 80 o Brasil adota políticas contra o cigarro e as ações foram reforçadas a partir de 2002, quando o País passou a ser signatário da Convenção-Quadro Contra o Tabaco. O documento foi ratificado três anos depois.

Nesse intervalo, a legislação brasileira endureceu, com a proibição da publicidade de cigarro e do patrocínio, pelos fabricantes, de grandes eventos. As corridas de fórmula um foi um deles. Um dos maiores produtores e exportadores de cigarro do mundo, o Brasil quer se redimir da estratégia econômica que, segundo os ativistas, desfalca os cofres da saúde e reduz a população produtiva.

A estratégia, na avaliação de Vera Colombo, do Inca, e de Maristela Menezes, coordenadora do programa antitabagismo no Recife, deu certo. Para os ativistas, as proibições e a propaganda contra o cigarro estão contribuindo para conscientizar as pessoas a mudar de hábito.

MENOS FUMANTES

“Pesquisas nacionais mostram que a proporção de brasileiros fumantes vem caindo. Em 1989 eram 30%. Baixou para 19% em 2003 e a consulta por telefone feita pelo Ministério da Saúde constatou, em 2006, 16%”, compara. No Recife essa também foi a parcela de maiores de 18 anos que se disseram usuários de cigarro no ano passado.

“Faltam agora pesquisas para mensurar quantas pessoas estão evitando experimentar o cigarro e quantos desistem de fumar”, avalia Mônica Andreis, vice-diretora da ACTbr, Aliança Contra o Tabagismo formada há um ano e meio no Brasil por um conjunto de profissionais que já atuavam na prevenção e no controle da dependência da nicotina. Restringir a publicidade do fumo e obrigar o fabricante a divulgar os malefícios do produto nas embalagens têm sido estratégia permanente. Fotos de cadáveres e coisas assustadoras passaram a acompanhar o cigarro na tentativa de fazer o consumidor não queimar o fumo.

A sociedade também vai encontrando outras alternativas para conscientizar e abraçar a causa, mesmo quando pressionada pela lei. No Bar e Restaurante Jardins, de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, a propaganda para alertar o cliente está na entrada:
“Fumaça, aqui dentro, só do gelo seco”, diz o bem-humorado cartaz. O gerente, Marcello Lopes, conta que os clientes fumantes são convidados a subir para a varanda, onde foi instalado o fumódromo. Além de retirar do ambiente o cheiro de fumaça, a medida está convencendo os funcionários da casa. Dos 11 trabalhadores que fumavam, oito deixaram o cigarro nos último quatro meses.

Antes mesmo de apagar o cigarro, parte dos fumantes se conscientizou de que as pessoas não são obrigadas a suportar a fumaça tóxica e que aumentar o preço do cigarro pode ajudá-lo a se libertar do vício. Pesquisa Datafolha/ACTbr, divulgada este ano, diz que 63% da população concordam com o aumento de impostos sobre produtos do tabaco. Dos 1.992 entrevistados, 88% são contrários ao fumo em locais fechados. Do total, 23% fumavam.
Autor: Editoria Cidades
OBID Fonte: Jornal do Commercio – PE