Nas empresas, circula ar mais saudável

Passar oito horas por dia aspirando a fumaça dos outros não é o que pode se chamar de conforto. Pois era a esse tipo de incômodo que se submetiam funcionários de 7.400 empresas do Recife antes da Lei Federal 9.204/96. Com a legislação, que proibiu o fumo em locais fechados, milhares de trabalhadores saíram da condição de fumantes passivos no País e comemoram um ar mais saudável nos escritórios.

Desde setembro do ano passado, a Secretaria de Saúde da Prefeitura do Recife e a Procuradoria Regional do Trabalho discutiam com associações de empresários a implantação de ambientes livres do fumo em bares, restaurantes, casas noturnas e congêneres. Em fevereiro, quando a lei federal começou a ser fiscalizada nesses lugares, muitas outras empresas já eram ambientes livres do fumo. Como o Onda Mar Hotel, em Boa Viagem, local de trabalho do gerente de recepção Odílio Bezerra, 40, há 12 anos.

Se antes as baforadas de clientes eram comuns no hall de entrada, hoje Odílio e os colegas sequer precisam lembrar aos hóspedes que a atitude é vetada. Placas contra o cigarro estampam desde a porta principal até o lobby do cafezinho, elevadores e corredores. “A fumaça incomodava bastante, tomava conta de todo o ar. Quando nos tornamos livres do fumo, a concordância entre os funcionários foi unânime”, conta o gerente, para quem apagar o cigarro é “questão de educação e respeito”.

Segundo o gerente geral do hotel, Jaime Magalhães, a mudança aconteceu gradualmente. Primeiro, havia fumódromo para os funcionários. Existiam também apartamentos para não fumantes. Depois, ampliou-se a idéia para andares inteiros e, há seis meses, para 100% do Onda Mar.

Tanta preocupação vem do reconhecimento de que o fumo passivo é um veneno. Dados da Organização Internacional do Trabalho, de 2005, apontam que 200 mil pessoas morrem a cada ano de doenças relacionadas ao fumo passivo no trabalho. E não adianta abrir a janela para diminuir a fumaça inspirada. “Não há sistema de ventilação que consiga minimizar esses efeitos”, alerta a coordenadora do Programa de Controle do Tabagismo da Secretaria de Saúde do Recife, Maristela Menezes.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) atesta que funcionários acabam fumando 30% menos se tal ato é proibido em seus ambientes de trabalho. Desde 2004, o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), na Boa Vista, Centro do Recife, é uma das empresas que investem contra o tabagismo.

No começo, somente funcionários eram impedidos de acender cigarros no CIEE. Mas as centenas de clientes que por lá passam todos os dias, não. “Espaço para fumar agora é apenas o estacionamento. Só recebemos elogios”, comemora a coordenadora de Recursos Humanos, Rosana Freire. Pesquisa interna demonstra bons resultados: após a adoção da política antifumo, 50% dos empregados fumantes abandonaram o vício.
Autor: Editoria Cidades
OBID Fonte: Jornal do Commercio – PE