Informação é arma contra a dependência química

Promover a integração entre jovens, família e sociedade no combate à dependência química, por meio da informação. Esse é o instrumento capaz de gerar as mudanças de comportamento necessárias para a recuperação de pessoas tóxico-dependentes.

O tema foi abordado na última segunda-feira (23), durante a abertura da 1ª Semana “Informação Contra as Drogas”, realizada pela Folha da Região em parceria com a organização Amor Exigente, de Araçatuba, e o hospital Benedita Fernandes.

A presidente do Amor Exigente de Araçatuba, professora Adalberta de Holanda Cavalcante Fortes Martins, e os voluntários da entidade, Margareth Vargas e Cláudio Carani, abriram os debates. Eles apresentaram os doze princípios que norteiam o trabalho realizado com dependentes químicos e suas famílias. Cada princípio é trabalhado durante um mês do ano.

“O tratamento surte efeito somente quando as famílias estão informadas sobre essa verdadeira doença”, acredita Adalberta.

Durante a recuperação do dependente químico, a família precisa se conhecer para contribuir com o tratamento. “É necessário o resgate das raízes culturais, dos valores e das crenças essenciais”, afirma a voluntária Margareth Vargas. Nesse resgate, os pais despertam para seu verdadeiro papel. “Eles devem perceber que não são super-heróis. Os pais não devem dar tudo o que os filhos querem, mas o suficiente para permitir o seu crescimento”, complementa Margareth.

A voluntária explica que, muitas vezes, os filhos não querem presentes, mas somente a presença dos pais. Não percebendo a necessidade de limites, os pais acabam levando os filhos ao consumo de drogas e álcool. “As crianças tornam-se prepotentes. Quanto mais têm, mais querem. Elas não aceitam as frustrações. Quando surgem as dificuldades, buscam refúgio nas substâncias entorpecentes”, explica Margareth.

A educação equivocada gera a prepotência. “Na verdade, esses jovens estão pedindo socorro. Eles querem as regras, típicas da relação familiar”, avalia a presidente do Amor Exigente de Araçatuba. Por isso, os papéis de pais e filhos devem estar bem delimitados. “A mãe e o pai precisam se comportar como tal. Eles não são amigos dos filhos, mas seus pais. Assim, devem se posicionar com autoridade, colocando limites, orientando e dizendo não no momento certo”, ensina.

AÇÃO – O autoconhecimento familiar é o objetivo dos princípios do programa Amor Exigente. O voluntário Cláudio Carani alerta que o sentimento de culpa não pode fazer parte desse processo. “Os pais são responsáveis pelos comportamentos inadequados dos filhos, mas não culpados. Isso porque, a culpa nos deixa inertes. E, ao contrário, precisamos tomar atitudes”, enfatiza.

Entre as atitudes a serem adotadas, os participantes citam a internação e até a expulsão de casa, para que o viciado possa escolher entre a dependência e o convívio familiar. Independente da atitude a ser tomada, ela deve ser bem pensada e amadurecida para que não haja retrocessos. É conveniente traçar um planejamento, baseado em exigências e na disciplina. “Achamos que amar é dar tudo e não exigir nada. Na verdade, é uma via de mão dupla”, conclui o voluntário.

PROGRAMAÇÃO – A 1ª Semana “Informação contra as Drogas” é composta de entrevistas, transmitidas ao vivo pelo programa Cidade Aberta na semana em que se lembra o Dia Internacional da Luta contra o Uso Indevido e o Tráfico de Drogas, fixado no dia 26 de junho. As entrevistas seguem até sexta-feira, e podem ser vistas e ouvidas pelo Canal 21 – Net Cidade e pela rádio Cultura FM 95,5, sempre a partir das 8h.

Hoje, o médico plantonista do hospital Benedita Fernandes, José Usan Júnior, e a psicóloga da unidade, Karina Cristina Auko Veiga, falam sobre o hospital psiquiátrico na atualidade. Os ouvintes e telespectadores podem fazer perguntas pelo telefone (18) 3636-7732 ou pela internet, pelo e-mail e MSN cidadeaberta@folhadaregiao.com.br.
Autor: Editoria Araçatuba
OBID Fonte: Folha da Região – Araçatuba – SP