Caminhada marca encerramento da Campanha Antidrogas em São Luís

Uma caminhada realizada no Centro marcou ontem o encerramento da Semana Nacional Antidrogas em São Luís. Cerca de 500 pessoas, entre integrantes da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e representantes de entidades da sociedade civil, partiram da praça Deodoro e seguiram pela rua da Paz em direção à praça João Lisboa.

Ao som de instrumentos musicais e com faixas e cartazes em punho, os participantes expressaram a realidade do uso da droga na capital.

Antes da caminhada, foi apresentado o resultado de um estudo realizado pelo Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc) que apontou que o Coroadinho, a Liberdade, o Barreto e a área Itaqui- Bacanga estão entre os bairros onde há maior consumo de drogas e que crianças têm contato com a maconha aos 8 anos de idade. Mostrou ainda que a faixa etária afetada pela ação dos entorpecentes, que era de 25 anos a 41 em 2007, passou para entre 18 anos e 30 este ano e que, embora tenha diminuído o consumo da maconha, a comercialização da mistura conhecida como merla aumentou.

“Quinhentos gramas de merla podem ser vendidos por até R$ 1.000,00 e esse comércio tem se mostrado mais rendoso que o da maconha para os traficantes, por vezes vendida em pequenos pacotes por R$ 5,00 ou R$ 6,00”, declarou o delegado da Polícia Civil Jefferson Portela.

Com a intensificação dos trabalhos da Denarc, este ano já foram realizadas 100 prisões em flagrante (90 homens e 35 mulheres). Ano passado foram 176, período em que houve também apreensão de 500 frascos de “loló”.

Vida

De acordo com o diretor do Denarc, José Couto Júnior, a luta contra as drogas ilícitas passa, entre outros aspectos, pela melhoria das condições de vida do brasileiro. “Até o dia 31 último, aumentou em 30%, em relação ao ano passado, a participação feminina neste tipo de delito. Elas ficam responsáveis pelos pontos de venda de entorpecentes, muitas vezes a principal fonte de renda da família”, detalhou. Ainda de acordo com José Couto, o aparelho policial não deve só atuar na repressão. “O Denarc também atua no tratamento e ressocialização dos dependentes químicos, em parceria com a sociedade civil, e uma boa oportunidade para mostrarmos esse tipo de ação é participando da caminhada de encerramento”, complementou.

Por causa dos números, foram desenvolvidas, desde o dia 19 deste mês, ações em São Luís e mais 17 municípios maranhenses, compreendendo, além de passeatas, palestras e debates. “É preciso uma ação integrada entre os diversos segmentos da sociedade e é isto que estamos vendo aqui na caminhada, com a participação de conselhos e associações de classe, ONGs e entidades de defesa dos direitos do indivíduo”, observou a integrante de pastoral católica Maria do Carmo Napoleão.

Segundo ela, é louvável a integração entre o Governo Federal, o Conselho Estadual de Combate às Drogas e os conselhos comunitários.

A Igreja também teve voz ativa na caminhada e em toda a semana de conscientização. Desde o último dia 17, católicos e evangélicos vinham realizando celebrações e outras atividades relacionadas à temática das drogas. Nas paróquias do Cohatrac, São Francisco e Cohab ocorreram missas durante a noite, além de reuniões para avaliação da campanha de conscientização.
Autor: Editoria Cidades
OBID Fonte: O Estado do Maranhão – MA